entrevista com o fundador do Social Media Club South Florida

19 01 2009

alexdecarvalho

Alexandre de Carvalho (@alexdc) é um quarentão que descobriu as mídias sociais aos 36 anos, quando fez seu primeiro perfil no friendster, ainda residente na França. Pouco tempo depois mudou-se para Miami (EUA) e mergulhou fundo em seus estudos nas mídias sociais. Tanto que hoje é co-fundador da StartPR e um dos “catalysts” da adhocnium, uma agência especializada em mídias sociais recém-criada pelos mais renomados profissionais desse mercado:

* Chris Heuer * Adriana Lukas * J.D. Lasica * Tom Foremski * Adrian Chan * Brian Solis * Neville Hobson * David Parmet * Alex de Carvalho * Ayelet Noff * Shel Holtz * B.L. Ochman * Ronna Porter

Filho de pai brasileiro e mãe finlandesa, @alexdc tem sotaque de gringo poliglota (inglês, português, francês e espanhol) porque sempre viveu fora do país. Estudou na França, onde fez MBA em Insead e atualmente leciona social media na University of Miami School of Communication. No último sábado, 17.01.09, @alexdc visitou a polvora e conversou comigo, Edney Souza e Jair Tavares. Como o papo foi longo, cerca de quatro horas, não pude resistir ao meu DNA de jornalista para fazer uma entrevista.

@msoma – Qual foi o seu aprendizado com as redes sociais a essa altura da vida?

@alexdc – Primeiro é importante dizer que não foi fácil. No passado, fui consultor de estratégias e comunicação de grandes empresas como Air France, Le Parisien, the Government of Mexico, British Airways, Repsol, VISA, Saint-Gobain, Publicis, General Motors e Nortel Networks. O ponto mais interessante quando entramos nas redes sociais da internet, depois de viver um bom tempo no mundo tradicional, é a reflexão, o “diálogo interno”, que é necessário para construirmos uma imagem legítima perante os outros. Temos que reaprender tudo. Ainda mais porque eu comecei minha vida profissional na publicidade, onde se acostuma falar somente coisas boas sobre os clientes e… sabemos que a vida real não é bem assim.

@msoma – Eu costumo brincar que “quebramos pratos na cabeça”…

@alexdc – Existe uma forte quebra de paradigma, onde a autenticidade é parte da solução de um problema. E aí a profundidade da mídia social depende de sua experiência.

@msoma – E o quanto você foi fundo em mídias sociais?

@alexdc – Hoje eu fomento as comunidades de novas mídias e tecnologia no Sul da Flórida. Fui o fundador do Social Media Club South Florida, e promovo o BarCamp Miami, além de ser um dos organizadores do RefreshMiami, uma rede de profissionais que trabalham com novas mídias. Nos últimos três anos eu tenho assessorado empresas startup a desenvolver novos negócios, criar parcerias e encontrar talentos.

@msoma – O que faz a sua empresa StartPR?

@alexdc – Nós fazemos a gestão da reputação online, blogger relations e brand monitoring. A StartPR ajuda as empresas a estabelecer conversas e a buscar o engajamento com pessoas que estão falando sobre o negócio, seus produtos e serviços.

@msoma – Qual o grau de maturidade do serviço de PR 2.0 nos EUA?

@alexdc – O PR 2.0 está em ascensão. Não falo só em termos de blogger relations, mas social media relations de uma forma mais ampla. Outra tendência a destacar é o conceito de social media release, que você mostrou em seu material. Tenho me envolvido em projetos de empresas que buscam desenvolver o conceito de community managers, onde pessoas legítimas promovem o contato entre o produto e a empresa, sem coisas fakes. Esse é o melhor caminho para um bom relacionamento. As empresas ainda têm que entender o real sentido das plataformas social media, entender melhor a cultura e ética para o engajamento de comunidades, tanto internas quanto externas, e para buscar otimizações no desenvolvimento de produtos e processos de negócios.

@msoma – Você falou a respeito da maturidade. Qual seria um conteúdo programático básico de um curso para uma empresa se inserir no tema “mídia social”?

@alexdc – Seria algo na seguinte linha:

Aula 1 – online identity and expression (teoria e prática) – como criar sua identidade e se comunicar na internet.

Aula 2 – community engagement – como formar comunidades e desenvolver engajamento.

Aula 3 – brand building and citizen journalism (teoria e casos reais) – como migrar de brochureware para mídia social e ter uma atitude diferente. Dar um “shift” na forma de pensar a agir.

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saiba porque adotar o PR 2.0

13 01 2009

Este é um longo projeto que o Grupo RMA vem tocando desde 2006 e diz respeito a quebras de paradigmas da assessoria de imprensa tradicional, versus o modelo a ser adotado no cenário da mídia social. O post, produzido pelo meu sócio e presidente do Grupo RMA, Augusto C. V. Pinto, ressalta a diferença entre “empurrar uma informação chapada” e “contextualizar uma informação por diferentes canais de forma atraente”. É um tema polêmico? Sim! Será muito discutido? Sim! Então vamos entrar de forma mais intensa.

augustocvpinto

“PR em inglês, ou RP em português, é a sigla para “Relações Públicas”, a designação mais cool para assessoria de imprensa. Sugiro que utilizemos a sigla PR, já que vamos nos referir a uma história que se inicia nos USA. O PR nasceu em 1906, nos USA, junto com o press release. O press release foi inventado pelo jornalista Ivy Lee, com o objetivo de gerenciar a comunicação de uma crise, disparada por um acidente ferroviário que matou 50 pessoas. Na época o objetivo de Lee era apenas reportar os fatos com precisão e velocidade, de maneira padronizada, para todos as mídias relevantes, ao mesmo tempo.

Nestes mais de 100 anos, o press release envelheceu, sem perder sua prinicipal característica que é a factualidade. Um bom press release reporta fatos e ponto. O processo de desgaste dos chamados press releases está relacionado a vários aspectos:

  • Ninguém mais, principalmente os jornalistas, necessita receber fatos reportando um acontecimento importante. Os fatos relevantes permeiam nossas vidas, na velocidade da Internet.
  • Os jornalistas hoje são poucos, para muitas empresas querendo comunicar seus fatos mais importantes.
  • A maioria dos “fatos importantes” enviados pelas empresas, vias suas assessorias de imprensa, são irrelevantes e de interesse restrito para publicação em massa.
  • O mesmo fato pode gerar diferentes leituras, dependendo do contexto em que se aplique. Isso explica as frustrações que às vezes as empresas têm com as matérias envolvendo seu nome, quando o contexto em que imaginaram a interpretação de um fato, não corresponde à contextualização dada pelo jornalista.

A tudo isso que descrevemos acima se designa genericamente por “PR 1.0”, ou seja, o PR que utiliza de press releases para tentar vender pautas para a mídia, “empurrando” informações supostamente interessantes. Por razões mais ou menos óbvias, o PR 1.0 está morrendo junto com o press release, sobrando algumas dúvidas com relação à data do enterro…
Mas, nem a imprensa tradicional, nem o PR estão mortos, ou perderam o sentido. Então, o que se sucederá ao PR 1.0 e ao press release? Obviamente, ao PR 1.0 sucederá o PR 2.0?! Essa nova onda vem junto com a onda da Internet, que é hoje a principal fonte de informações dos jornalistas (e também dos leitores).

Junto com o PR 2.0 surgiu o Social Media Release, ou seja, uma plataforma para comunicar notícias relevantes, utilizando a Internet como seu principal veículo. O Social Media Release é ambivalente. Ele é escrito para ser lido diretamente na web, por jornalistas, e/ou leitores, mas também pode ser utilizado pela assessorial de imprensa para “vender uma pauta” para a mídia.

O Social Media Release é bem diferente dos velhos press releases. Suas principais características são:

  • Contextualização: o Social Media Release aponta cenários, através de links web para conteúdos multimídia relevantes.
  • Acesso democrático: disponível para todos, de forma aberta, via Internet.
  • Credibilidade: todo o material apresentado deve ser cuidadosamente checado quanto à segurança e credibilidade.
  • Cultura de rede: quem publica um Social Media Release deve estar preparado para receber comentários, críticas, deve permitir que o material seja reutilizado, remixado e distribuído sem nenhum tipo de controle.
  • Visibilidade: o Social Media Release deve ser vísivel na web, através de recursos como RSS, bookmarking e tagging.

Que tal? Parece obviamente simples e criativo, não é mesmo? No entanto, esse conceito começa a se consolidar ainda vagarosamente dentro das empresas e na indústria de mídia. Dia virá que as assessorias de imprensa apenas publicarão seus Social Media Release em páginas web denominadas Social Media Newsrooms, onde os jornalistas farão subscrição para os temas de seu interesse no momento. E os leitores apressadinhos poderão ler o material in natura, sem esperar por sua publicação formal. Quem viver verá…”





boa dica para melhorar a relação entre agências de PR e blogueiros

29 08 2008

Meu guru, Todd Defren, principal executivo da Shift Communications, escreveu um post muito interessante que endereça uma situação discutida ainda timidamente nos corredores de alguns eventos aqui no Brasil: a relação entre blogs e agências de PR. Ele sugere a criação de selos que identificam se o blogueiro está ou não a fim de receber materiais e, em caso, positivo, quais seriam as condições. Comentários?!