a medicina no olho do furacão da web

9 10 2009

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Esq:Roberto Camara Jr, Eduardo Sales, Eduardo Pelosi e Yuri Almeida foram os debatedores blogueiros

A pesquisa realizada pela revista Veja SP, com 1119 clínicos e cirurgiões que atendem em 21 hospitais públicos e privados da cidade de São Paulo mostrou que apenas 23% deles estão inseridos em redes sociais, tais como Orkut e Facebook ou fazem uso do Twitter. Essa poderia ser uma das várias razões para os médicos ficarem surpresos com algumas indagações feitas por seus pacientes que investem algumas horas do dia para garimpar suas “pepitas” (boas ou ruins) de informação, ávidos por uma discussão mais encorpada com os doutores.

No decorrer do debate #saudeconectada, que levou o tema Paciente Informado para um segundo round de questionamentos, surgiu uma suposição curiosa por parte do Dr. André Pereira, pesquisador da FioCruz: “o Dr. Google está substituindo a conversa entre medicos e pacientes?” Considerando que o tempo médio de atendimento de uma consulta médica pública mais comum, segundo a Veja SP, é feita em 15 minutos (41,5% dos respondentes), essa hipótese não poderia ser descartada.

Apesar da baixa adesão dos médicos às redes sociais, existe um outro grupo de profissonais com olhos bem abertos para o alto valor na web como forma de promover informações e diálogos. Ciente desse cenário, a FENAM (Federação Nacional dos Médicos) está começando a se movimentar no sentido de identificá-los por meio de um “selo”. Na visão de Eduardo Santana, Vice-Presidente da entidade,  e um dos debatedores, a implementação desse projeto faria o link necessário para associar o médico ao conteúdo gerado, transferindo inclusive a responsabilidade pela autoria e integridade dos seus registros.

A FENAM tem bons motivos para se preocupar. “Poder mudar a história de uma doença, tirar a dor  ou abreviar o sofrimento mexe com o ego e a sensibilidade dos médicos”, foi uma das frases mencionadas em Veja SP, na questão: “O exercício da medicina lhe dá sensação de poder?” Um verdadeiro abacaxi para descascar, caso alguém tenha pensamentos e atitudes maléficas no exercício de uma profissão tão respeitada e admirada, ao ponto da veneração.

Agora, cá entre nós, como argumentar o valor das mídias sociais, efetivamente quebrar tabus junto à classe médica, se entre uma ou outra clicada caímos em destaques como este aqui ou este aqui.

Na função de mediador do evento eu concordei e arrisquei prever que a sociedade médica, espero que munida da certificação médica, a médio prazo, tenderá a se organizar em portais, assim como são feitos em seus formatos tradicionais, com sedes, membros devidamente identificados e certificados por especialização.

O ponto colocado teria na web um paralelo sem precedentes de metodologia e estrutura, elevando o grau de exigência para um tripé fundamental, na opinião do pesquisador da FioCruz: “navegabilidade do ambiente, para que as informações sejam facilmente encontradas; legibilidade para que tudo seja entendido de maneira transparente e qualidade do conteúdo, por razões óbvias.”

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Esq: Dr.André Pereira, Dr.Marcelo Matos, Felipe Rocha, Dr.Claudio Freitas e
Dr.Antístenes Albernaz

Fernando Vogt, diretor da InterSystems, colocou em perspectiva um novo paradigma que merece reflexão: “revolução não é o paciente informado, mas a informação do paciente disponibilizada em meio digital”. Eu vejo a verdade nas duas vertentes em discussão. Em termos de agilidade na movimentação, o retrato atual, bem desenhado pela Veja SP, está jogando “contra” médicos e pacientes, enquanto, na prática, as boas soluções são adotadas lentamente, sendo que algumas permanecem na fila da boa intenção.

E como não poderia faltar, destaco o olhar/alerta precioso que Yuri Almeida,  Herdeiro do Caos, passou para as instituições médicas e àquelas ligadas ao setor da Saúde:

“…A grande questão para os profissionais da área de saúde é: ocupar espaço no ciberespaço antes que os “não-médicos”, munidos de técnicas SEO e soluções milagrosas dominem a Web. Para isso, enxergar a Internet apenas como um meio de transmitir informação é pueril. Vale lembrar que a Web, sobretudo é espaço para interação, logo é preciso que os médicos se preocupem com seus pacientes além do consultório, estejam nas redes sociais, mantenham blogs ou pelo menos entendam que o Dr. Google é um aliado para o exercício de uma medicina mais humana e eficiente.”

Vale também visitar o post e os comentários feitos no blog de Roberto Camara Jr., Me Tire Deste Ócio!!!


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Twestival 2009 SP vale o seu “retwit”

5 09 2009

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O ser humano, por natureza, tem o costume de pensar muito, expressar suas idéias matutadas na mesma proporção, porém, infelizmente são poucos aqueles que transformam as boas intenções em atitudes. Por esta razão, eu gradualmente fui sendo atraído pelo projeto Twestival, a união de twitteiros em prol de uma causa. Se a proposta é ajudar, de minha parte, o mínimo que eu poderia fazer é divulgar o evento. Dar o meu retwit. Decidi fazer isso batendo um papo com Fernando Souza, responsável pelo Twestival São Paulo e editor do blog Twitter Brasil.

fernandosouzaQuando você resolveu adotar a causa Twestival SP? Qual o critério para apoiar a entidade local?

Fui convidado pelos idealizadores em janeiro deste ano, devido ao meu envolvimento com o Twitter e dada a visibilidade do blog Twitter Brasil. A ONG escolhida foi a Doutores da Alegria por conhecer e confiar no trabalho e dedicação deles, que atendem, principalmente, o público infantil.

Como é organizar um evento de forma colaborativa, tendo o twitter como mídia tema?

Eu, como organizador, do evento venho mobilizando algumas pessoas para auxiliar na execução do evento e, conseqüentemente , na captação de recursos. Dessa forma estabeleço uma equipe de apoiadores para que tenhamos no final um evento agradável a todos e o resultado final que é a mobilização de pessoas em prol de uma causa.

Quais foram os resultados de 2008?

Em 2008 o evento foi realizado apenas em Londres, porém ainda sem o titulo “Twestival”, onde conseguiram reunir aproximadamente 300 pessoas. Era apenas um evento onde a comunidade local do Twitter pudesse se encontrar, assim como os tantos NOBs (NerdsOnBeer). Na versão de fevereiro de 2009, o Twestival Global, em São Paulo, reuniu mais de 400 pessoas e arrecadou R$ 2.879,50. Porém, para a produção do evento, foi feito um investimento de R$ 2.216,50. O restante, R$ 683,00, foi doado para a ONG Charity:Water.

Além de participar do evento e divulgar, como as pessoas podem ajudar?

Colocamos um post no dia 03 (setembro), falando exatamente sobre a doação. Todos podem doar via PagSeguro. Estamos esperando cerca de 500 pessoas nesta edição. Se cada um doar R$ 10,00 teremos um valor significativo . O evento será no Espaço PIX/Gafanhoto onde estaremos efetuando a venda de camisetas cuja renda será revertida em prol da ONG. É bacana ressaltar que a entidade escolhida, Doutores da alegria, desde 1991, já visitou mais de 650 mil crianças e adolescentes hospitalizados, atingindo também cerca de 700 mil familiares, e envolvendo mais de 15 mil profissionais de saúde.

Se você tem alguma sugestão para ajudar o Twestival nesta edição e nas próximas, deixe o seu comentário.





a síndrome da bola de cristal persiste

28 08 2009

Alguns paradigmas do mundo corporativo ainda não foram quebrados. Persiste em reuniões de prospecções e workshops aquela ladainha de meados de 2006:

  • Em mídia social tudo é freeware;
  • Faz um viralzinho baratinho e aí a coisa pega fogo;
  • Basta dar brindes e pagar pouco para blogueiros que as coisas acontecem;
  • Vamos fazer “assim”… que as pessoas vão clicar “por aqui” e as coisas se converterão “por ali”.

Se não existe “bala de prata” em projetos de mídia social, não faz sentido a síndrome da bola de cristal continuar viva. Quando eu desmonto todos esses (e mais alguns) mitos vem a expressão: “nooossa, não é assim então?!”

  • Muita coisa em mídia social é freeware sim, mas e o profissional que investiu horas pesquisando, navegando e estudando tecnologias, plataformas, interfaces, plugins? Vale muito e eu sei o quanto as pessoas varam madrugadas para isso, numa obsessão pela resposta para o cliente.
  • Viralzinho baratinho até pode existir, mas espero que os “carinhos” e bem feitos prevaleçam.
  • Nos últimos meses, a mídia tem dado bastante destaque à evolução da blogosfera. Bom por um lado, para o lado daqueles que batalharam para chegar lá. Por outro, pode ter criado uma percepção deturpada da dura realidade. Aguardo os seus comentários sobre esse polêmico fenômeno.

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  • Enfim, a bola de cristal do “faz isso” que “acontece aquilo” é prejudicial a qualquer campanha. É preciso estudar, mapear, mas principalmente, conversar com as pessoas para saber o que elas realmente desejam. Aí sim a “lógica” vira “prática”.




profissional de comunicação e blogueiros podem melhorar a oferta do cliente?twi

3 06 2009

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Sou do tempo em que o cliente contratava uma agência de comunicação para divulgar o lançamento de um produto e, por mais que ele fosse bom, alguma opinião de valor a gente tinha para contribuir, porém sem muito espaço ou até boa vontade pelo lado do ouvinte. Quando surgia uma brecha para comentários era aberto e não estavam alinhados com as expectativas dos empresários, eu tinha a nítida impressão que eles me viam como um elemento do time adversário.

Hoje, graças à evolução da comunicação e da mente mais aberta do mundo corporativo, eu consigo, além de palpitar, colaborar efetivamente na melhoria da oferta. Me refiro aos projetos onde proponho de antemão a participação dos beta testers, aqueles profissionais com formações diversas, mas experts em determinados assuntos, muitos autodidatas e cobertos de méritos.

O caso mais recente aconteceu no lançamento da Drimio. Como toda start-up, os executivos se viram pressionados por prazos e resultados. Fiquei feliz em convencê-los de que a rede social ainda tinha uma etapa a percorrer. Não havia atalhos para atender aos mínimos requisitos de uma comunidade tão exigente e focada em marcas. Resultado: o projeto atrasou alguns meses em função de uma mudança nos planos, porém o benefício foi sentido logo no lançamento. Segundo Salomão Casas, idealizador da Drimio, 98% dos comentários foram positivos nesta primeira fase, sendo que as críticas foram ouvidas atentamente no sentido da empresa buscar as melhorias propostas.

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Depois do teste feito pelos experts, mais 200 participantes experimentaram e deram suas opiniões a respeito da Drimio. Paralelamente a essa atividade, a rede contou com uma pesquisa de percepção realizada pela Pólvora Comunicação para levantar o que os usuários esperam de uma rede social de marcas.

A fase de beta teste é muito comum em projetos tecnológicos que asseguram a redução do risco, porém não o elimina. Assim também funciona nos projetos de mídia social, até porque nessa arena os colaboradores contribuem de forma ativa na melhoria de um produto ou serviço. Por parte dos empresários, a resposta deve ser rápida e sob medida. E assim eles têm se esforçado para proceder:

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Ontem a Drimio realizou um #NOB em Joinville (SC) para continuar ouvindo as pessoas, desta vez, pessoalmente. Elogios e críticas seguiram nas conversas e assim devem continuar, afinal, esse é o karma ou a benção do “eterno beta”, certo?

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um NOB, um twitterlunch e uma matéria na Época

17 04 2009

Eu praticamente fiz um refresh” do post sobre o #NOBCriciuma. Qual a relevância disso? Se você leu este post, perceberá que tive o trabalho de levantar quem realmente fez o seu twitter no evento e como esse tema está relacionado à capa da revista Época, publicada em 14 de março. Vale a pena, principalmente porque deu para perceber que a turma de Criciúma continuou o movimento.





experiência com o twitter no mundo corporativo

9 03 2009

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Comecei este post pensando nas fumacinhas que saíram da cabeça do Ivan Martins, um veterano das redações, recém-iniciado no Twitter, ao participar (03.mar.09) de um #Twitterlunch, almoço com gente de todas as idades, formações e profissões, unidas pelo Twitter. Digo isso porque percebi que ele estava lá para entender a cultura da turma e definir por qual ângulo sua pauta tomaria rumo sobre o tema, algo nada fácil de se explicar ao leitor da revista Época.

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Sorry Ivan, mas apesar de estar no twitter já há algum tempo, digo que, dependendo da situação, os desafios só aumentam. Na sexta-feira da mesma semana em que nos encontramos (06.mar.09), um cliente agendou um Workshop Social Media (iniciação do mundo corporativo no assunto). Até aí, nenhuma novidade, pois já fiz dezenas deles. Mas a academiaivantwittersegunda parte tinha o objetivo de inserir alguns dos profissionais de Recursos Humanos, Tecnologia, Vendas e Marketing no twitter. “Vixe, ferrou”, pensei, pois se eu ficar só no conceito, ninguém vai entender o valor dessa mídia social. Além disso, poderia comprometer a seriedade de toda a parte inicial do Workshop .

Combinamos então um Social Media Training com o Twitter, pós-Workshop. A decisão teve como base um projeto realizado em 2008, onde Edney e eu fomos bem sucedidos num laboratório inédito desse tipo com foco no LinkedIn, aplicado em um grupo de executivos. Porém, a sacada importante para mostrar a real integração entre o mundo corporativo e o das mídias sociais foi pensar como tornar possível, e de forma legítima, a participação das pessoas que estavam do lado de fora de uma suntuosa sala de treinamentos em plena Avenida Berrini (SP)?

O primeiro passo foi perguntar, um dia antes do evento, aos twitteiros o seguinte:

academia-interney-perguntaAs respostas surgiram espontaneamente em bom nível:

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O segundo passo foi transmitir o Social Media Training, online e real time, para que as pessoas pudessem interagir e entender melhor as dúvidas do mundo corporativo, via UStream.

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Abaixo,confira as percepções de alguns dos participantes sobre o evento:

tcordeiro TIAGO CORDEIRO – “Eu estou de cabeça no mundo das mídias sociais há uns três o quatro anos mais ou menos. Mesmo antes disso, já era um usuário mais do que interessado. Foi ótimo ver como pessoas que estão mais distantes desse mundo pensam e descobrir quais os temores e incômodos que têm. Não é instrutivo só para saber o que trabalhar nos próximos wokshops, mas principalmente sobre o que as ferramentas precisam ter. Acho que foi um primeiro passo de um processo. A pior reação é o medo, o que não houve. O receio é normal com tudo o que é novo, mas a tendência é que isso se transforme em empolgação. Acho que consolidou esse processo de maturidade que vivemos. A tendência não é simplesmente todo mundo já nascer sabendo, mas existirem empresas que façam a “ponte” entre esses mundos. O mais importante é ver que os três lados estão abertos para isso: o da corporações, das mídias sociais e das empresas de comunicação. E, como vimos, é perfeitamente possível que o Brasil exporte know-how e cases.”

carlostesoreCARLOS TESORE – “Além da conquista pessoal excepcional, única e marcante, a palavra que resume bem o momento é “APRENDIZADO”. Foi uma das mais ricas experiência que vivi na minha carreira. Agregou muito. Foi um momento de experimentação. Por mais que existam barrerias, preconceitos e regras corporativas, as pessoas mesmo reticentes e receosas perceberam que não podem ficar ausentes deste novo mundo da comunicação. Isso ficou comprovado pela discussão gerada em relação ao twitter. O mundo corporativo teve a visão que as mídias sociais não se limitam apenas na comunicação pessoal. Com estratégia e planejamento podem ser utilizadas como poderosas ferramentas de comunicação corporativa.”

tucahernandesTUCA HERNANDES – “A experiência foi uma lição de humildade para mim. Afinal, ao contrário do que eu imaginava, o twitter ainda é uma ferramenta que deve ser apresentada com bastante cuidado, pois ele continua a ser visto por muita gente como algo sem utilidade alguma, feito apenas para se escrever coisas como “estou tomando café”, por exemplo. E, a partir do momento em que é possível demonstrar outras potencialidades do twitter, como o intercâmbio de informações que podem ser úteis para a vida profissional, percebo que vale à pena insistir na idéia de se utilizá-lo, com bom senso, no ambiente corporativo. E ver o nascer dessa percepção, como no treinamento que acompanhei, é algo realmente animador.

lucianapillegiLUCIANA PILLEGI – “O mundo das mídias sociais pode ser novo e intrigante até para uma empresa de tecnologia inovadora e visionária como a InterSystems. Mas quando se tem parceiros que conhecem profundamente o assunto e nos conduzem de maneira tão didática, divertida e agradável tudo fica muito mais fácil. É neste estágio que estamos com a Polvora! e o projeto de Social Media que estamos trabalhando aqui. O Workshop para nosso time foi fantástico e essencial para que toda a equipe entendesse o conceito dessa nova maneira de comunicação e passasse a contribuir mais com o projeto. Obrigada à toda a equipe da Polvora pelo profissionalismo e o carinho com que tem lidado com esse nosso momento.”

Pessoal, agradeço a participação de todos. Particularmente para mim, @msoma, foi um evento inesquecível. Até a próxima!