a relação professor-aluno das mídias sociais

22 03 2009

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[A foto acima lista alguns dos blogs dos alunos que estavam na aula]

No dia 10 de março eu fui convidado pela professora Stela Lachtermarcher, para participar, pelo segundo ano consecutivo, de uma aula na turma de pós-graduação do curso de Comunicação Corporativa da Anhembi Morumbi. No ano passado, eu costumava chegar somente no horário do intervalo e fazer a minha parte, mas desta vez foi importante assistir a primeira etapa da aula, aprender mais um pouco, e sincronizar os casos práticos B2B/B2C realizados pela minha equipe com a parte teórica da Stela.

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O convite: “Conforme acabamos de conversar por telefone, fica então combinado o dia 10 para a apresentação dos projetos da Pólvora. Segue abaixo o programa do curso. Quanto ao público, no caso desta turma 90% são da área de comunicação e já atuam em agências e em comunicação interna. É uma turma já bem mais inserida no contexto do que aquela última com a qual vocês conversaram. Eles têm entre 30 e poucos anos e estão formados e no mercado…”

O Programa do curso Sistemas de Informação e Comunicação tem um conteúdo interessante para o tema “Mídias Sociais”:

  1. A comunicação digital. O que mudou ao longo dos últimos anos e como isso afeta as empresas de uma maneira geral, seja a comunicação dentro de uma agência, por exemplo, ou dos clientes desta.
  2. Interatividade é o nome do jogo. As novas ferramentas de comunicação, como elas podem ser usadas a favor da usa empresa, e a integração entre os diversos tipos de mídia.
  3. Você já blogou? Este instrumento, tido inicialmente como coisa de criança, ou de Nerd, vem causando grandes mudanças no ambiente corporativo. Conheça a blogosfera e as empresas que entenderam a força deste no universo.
  4. Redes sociais e sua influência na comunicação. O que são estas redes,como se formam, e o que elas têm a ver com o ambiente corporativo.
  5. Gestão da informação e do conhecimento. Como gerenciar de forma que a informação certa chegue às pessoas certas, no momento certo. E mais, gerenciar o conhecimento é garantir não ter que começar tudo de novo a cada dia, como se a empresa não tivesse construído nada até ontem.
  6. Apresentação dos planos de comunicação preparados em grupo durante as aulas utilizando os subsídios oferecidos por este módulo em termos de novas ferramentas dentro da chamada Comunicação Digital.

Para me acompanhar, estendi o convite ao Leandro Gabriel, um cara jovem, recém-saído do mundo corporativo e apaixonado pelo tema “mídias sociais”.

Mais importante do que a minha opinião, nesse caso, considero a experiência e ponto-de-vista de cada um, testemunhado a seguir:

trecker2“Mário, no intervalo da aula, @mesquitabrunam e @valmasson (que então não tinham contas criadas no twitter) vieram falar comigo sobre o uso governamental de redes sociais, que constitui o tema do TCC delas, inspirado pelo case da campanha eleitoral de Barack Obama. Depois de discutirmos um pouco o tema, apresentei a elas a seção de Governo no Springwise.com, no intuito de mostrar algumas iniciativas de engajamento político em redes sociais como o TweetMinster e o Tweet Congress, ferramentas que facilitam a localização de representantes no parlamento britanico e no congresso americano. No dia seguinte à #aulaweb20, além das duas já citadas, novos seguidores apareceram no meu twitter: @marcelosilveira, @dealins e @Biellinha, que só depois vim a descobrir que havia estudado comigo até a sexta série do primário. Todos com suas contas criadas depois da aula. Deu pra notar que a aula ajudou a esclarecer muitas coisas sobre o uso de redes sociais como meio de comunicação também para empresas, porém senti que a turma carece de conhecer alguns conceitos que levaram as redes sociais a serem consideradas parte integrante da estratégia de comunicação. Percebi que para aquela turma ficou faltando entender um pouco da história das redes sociais, desde muito antes de ser cunhado o termo web 2.0. Para apresentar o estado atual das redes sociais é importante que os ouvintes estejam familiarizados com conceitos como crowdsourcing, social bookmarking e filtro colaborativo, caso contrário ouviremos mais e mais perguntas como “Mas pra que serve o twitter?.” Leandro Gabriel.

aulaweb20-ale-braga“Oi Mário, eu participei na palestra da última aula e resolvi deixar meu comentário. Sou blogueira há 3 anos e no início construí o angulobbtuso.blogspot.com pelo simples prazer de escrever. A possibilidade de inúmeras pessoas lerem e interagirem comigo também me fascinava. Durante sua apresentação na pós, percebi que dá pra fazer muito mais. Há inúmeros caminhos e as mídias sociais são uma ferramenta espetacular. Com certeza, é preciso dar atenção e lançar mão destes artifícios. Agora, tenho mais consciência do valor deste trabalho, tinha uma visão distorcida. Confesso que Twitter para mim era besteira, mas compreendi o poder desta ferramenta e como isto o bom uso dele pode agregar um valor enorme à marca das empresa. Na minha empresa trabalhamos com e-learning e m-learning (vídeos via celular) e percebi aqui uma oportunidade de uso de uso das mídias sociais para possibilitar a interação entre os treinandos. Parabéns pelo seu trabalho, torço que continue tendo boas idéias, e claro, compartilhando conosco.” Alessandra Braga.

stela“Foi uma grande oportunidade para mim e tenho certeza que para a turma também, alguns manifestaram isso ao final da aula, ouvir do Mario sobre as iniciativas da Pólvora a partir da aplicação de novas mídias em comunicação corporativa. Queria deixar aqui mais uma vez meu agradecimento ao Mario, que sempre atende meus pedidos com a maior boa vontade, e para o Trecker, que sei que está ajudando inclusive o grupo que está trabalhando o TCC sobre novas mídias, e ressaltar algo que falo constantemente para a turma: como gestores de comunicação que somos está nas nossas mãos propagar esta revolução mostrando o que está sendo feito de interessante e que pode agregar um valor enorme para as empresas onde atuamos.” Stela Lachtermacher.


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saiba porque adotar o PR 2.0

13 01 2009

Este é um longo projeto que o Grupo RMA vem tocando desde 2006 e diz respeito a quebras de paradigmas da assessoria de imprensa tradicional, versus o modelo a ser adotado no cenário da mídia social. O post, produzido pelo meu sócio e presidente do Grupo RMA, Augusto C. V. Pinto, ressalta a diferença entre “empurrar uma informação chapada” e “contextualizar uma informação por diferentes canais de forma atraente”. É um tema polêmico? Sim! Será muito discutido? Sim! Então vamos entrar de forma mais intensa.

augustocvpinto

“PR em inglês, ou RP em português, é a sigla para “Relações Públicas”, a designação mais cool para assessoria de imprensa. Sugiro que utilizemos a sigla PR, já que vamos nos referir a uma história que se inicia nos USA. O PR nasceu em 1906, nos USA, junto com o press release. O press release foi inventado pelo jornalista Ivy Lee, com o objetivo de gerenciar a comunicação de uma crise, disparada por um acidente ferroviário que matou 50 pessoas. Na época o objetivo de Lee era apenas reportar os fatos com precisão e velocidade, de maneira padronizada, para todos as mídias relevantes, ao mesmo tempo.

Nestes mais de 100 anos, o press release envelheceu, sem perder sua prinicipal característica que é a factualidade. Um bom press release reporta fatos e ponto. O processo de desgaste dos chamados press releases está relacionado a vários aspectos:

  • Ninguém mais, principalmente os jornalistas, necessita receber fatos reportando um acontecimento importante. Os fatos relevantes permeiam nossas vidas, na velocidade da Internet.
  • Os jornalistas hoje são poucos, para muitas empresas querendo comunicar seus fatos mais importantes.
  • A maioria dos “fatos importantes” enviados pelas empresas, vias suas assessorias de imprensa, são irrelevantes e de interesse restrito para publicação em massa.
  • O mesmo fato pode gerar diferentes leituras, dependendo do contexto em que se aplique. Isso explica as frustrações que às vezes as empresas têm com as matérias envolvendo seu nome, quando o contexto em que imaginaram a interpretação de um fato, não corresponde à contextualização dada pelo jornalista.

A tudo isso que descrevemos acima se designa genericamente por “PR 1.0”, ou seja, o PR que utiliza de press releases para tentar vender pautas para a mídia, “empurrando” informações supostamente interessantes. Por razões mais ou menos óbvias, o PR 1.0 está morrendo junto com o press release, sobrando algumas dúvidas com relação à data do enterro…
Mas, nem a imprensa tradicional, nem o PR estão mortos, ou perderam o sentido. Então, o que se sucederá ao PR 1.0 e ao press release? Obviamente, ao PR 1.0 sucederá o PR 2.0?! Essa nova onda vem junto com a onda da Internet, que é hoje a principal fonte de informações dos jornalistas (e também dos leitores).

Junto com o PR 2.0 surgiu o Social Media Release, ou seja, uma plataforma para comunicar notícias relevantes, utilizando a Internet como seu principal veículo. O Social Media Release é ambivalente. Ele é escrito para ser lido diretamente na web, por jornalistas, e/ou leitores, mas também pode ser utilizado pela assessorial de imprensa para “vender uma pauta” para a mídia.

O Social Media Release é bem diferente dos velhos press releases. Suas principais características são:

  • Contextualização: o Social Media Release aponta cenários, através de links web para conteúdos multimídia relevantes.
  • Acesso democrático: disponível para todos, de forma aberta, via Internet.
  • Credibilidade: todo o material apresentado deve ser cuidadosamente checado quanto à segurança e credibilidade.
  • Cultura de rede: quem publica um Social Media Release deve estar preparado para receber comentários, críticas, deve permitir que o material seja reutilizado, remixado e distribuído sem nenhum tipo de controle.
  • Visibilidade: o Social Media Release deve ser vísivel na web, através de recursos como RSS, bookmarking e tagging.

Que tal? Parece obviamente simples e criativo, não é mesmo? No entanto, esse conceito começa a se consolidar ainda vagarosamente dentro das empresas e na indústria de mídia. Dia virá que as assessorias de imprensa apenas publicarão seus Social Media Release em páginas web denominadas Social Media Newsrooms, onde os jornalistas farão subscrição para os temas de seu interesse no momento. E os leitores apressadinhos poderão ler o material in natura, sem esperar por sua publicação formal. Quem viver verá…”