uma grata surpresa na sala de aula

5 11 2010

Tem coisas que deixam muito clara a diferença entre as gerações: expressões, filmes, músicas, fotos, ou simplesmente a idade. Eu iniciei meus estudos numa faculdade em São Paulo e depois me mudei para o Triângulo Mineiro (para ficar mais próximo dos meus irmãos), onde conclui o curso de jornalismo. Para ampliar meus conhecimentos e matar a curiosidade sobre o nível dos cursos em São Paulo, continuei por alguns anos seguidos meus estudos no período pós-formado, em instituições de ensino das mais renomadas.

No mês passado, tive a oportunidade de voltar para a sala de aula e matar uma curiosidade: como estava sendo tratado o assunto “mídia social” no meio universitário?  Tive uma grata surpresa. Grupos de alunos do 6o. semestre do curso de Publicidade e Propaganda da Fapcom me apresentaram seus projetos de blogs e fiquei impressionado com o grau de profissionalismo da turma. Seguiam uma metodologia aplicada no mercado profissional; dominavam seus temas; falavam com entusiamo e tinham uma infraestrutura impressionante.

Nos últimos anos, eu tenho sido convidado com frequência para dar palestras em cursos de MBA e congressos. Comparando os

tipos de eventos educacionais e perfis de estudantes, deu para perceber uma nítida evolução das mídias sociais em sala de aula. Para os graduandos, ressaltei que existe hoje um mercado em franca expansão e, se na minha época, conseguir fazer uma faculdade era privilégio de poucos – e ainda continua a ser – fazer um curso com aquela base de ensino e visão de mercado já seria um bom caminho para a definição da carreira de alguns deles.

Em minha trajetória educacional, quando jovem, mesmo com poucas opções de curso|emprego na década de 80, sofri demais com as escolhas. Segui algumas e errei em escolher outras, mas a vocação profissional apontou o caminho certo. Hoje, eu já vejo os alunos com as idéias fervilhando e uma excitação enorme em botar tudo em prática. Sinto aquela veia de empreendedorismo, muito tímida no passado, na “Era do Emprego”. Sim!! estimulo o empreendedorismo nos jovens, pois as portas nunca estiveram tão abertas para toda uma geração.

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o comportamento da “iGeração”

25 01 2010

Larry Rosen, professor de psicologia na Universidade Estadual da Califórnia (Cal State), autor do livro Rewired: Understanding the iGeneration and the Way They Learn, constatou que “jovens entre 16 e 18 anos realizam sete tarefas, em média, em seu tempo livre – como escrever mensagens de texto pelo telefone, enviar mensagens instantâneas e verificar o Facebook, enquanto estão sentados diante de uma televisão. As pessoas com pouco mais de 20 anos só conseguem realizar seis, e os que têm mais de 30, cerca de cinco e meia”.

As aspas são de Brad Stone, repórter especializado em tecnologia do The New York Times, autor do artigo “Filhos do ciberespaço: velhos aos 20 anos”, que me inspirou a escrever este post.

Rosen classificou de “geração Net”, aquela nascida nos anos 80 e, “iGeração”, a dos anos 90 e 00. Independentemente do neologismo do psicólogo, Brad Stone do NYT, destacou um ponto em seu artigo bem interessante aos negócios: “Isso lhes dará potencial para serem mais criativos que as gerações mais velhas – e talvez torná-los um alvo mais difícil para os marqueteiros da indústria”.

Outro relato interessante no artigo de Stone foi coletado de Mizuko Ito, antropóloga cultural e pesquisadora assistente do Instituto de Pesquisa em Ciências Humanas da Universidade da Califórnia. Segundo ela, o boom dos mundos virtuais voltados para crianças e jogos online, como Club Penguin e Moshi Monsters levam as crianças a terem menos distinção entre seus amigos online e os “humanos”. Como consequência, a socialização virtual poderá proporcionar tanta satisfação quanto uma confraternização nas noites de sexta-feira. “E elas provavelmente participarão mais ativamente de seus próprios entretenimentos, clicando o teclado em vez de se recostar no sofá”, explica Ito.

Ao ler o artigo, caiu a ficha de que já vivenciamos tudo isso. As crianças e jovens, quando visitam a minha família, já chegam com seus netbooks/games na mochila. Perguntam se tenho wi-fi. Eles somem no meio das conversas dos adultos e quando os procuramos, ou estão isolados, concentrados em algum site, blog, comunidade…, ou ensinando uns aos outros os truques para conseguir fazer “mais” com “menos” ou “mais rápido”.

Como se diz no mundo corporativo, estamos “trocando as turbinas da aeronave em pleno vôo”. Não temos como parar o relógio da vida e tomarmos aulas a respeito dos novos procedimentos. Tenho o papel de acompanhar toda essa evolução da sociedade. E o seu não será diferente.

Certa vez, ao participar de um painel com professores e estudantes da PUC-SP, afirmei que os jovens mais digitais se comunicavam melhor na forma escrita do que verbal. E essa foi uma das constatações de Rosen: “A iGeração passa muito mais tempo escrevendo que ao telefone, presta menos atenção à televisão que o grupo mais velho e tende a se comunicar mais em redes de mensagens instantâneas.”

Na sequência veio o questionamento do aluno da PUC:  “mas como você faz para conviver com este tipo de comportamento nas suas empresas, e, ao mesmo tempo, ajudar os jovens?” Respondi, olhando fixo em seus olhos, que a situação diz mais respeito às atitudes das pessoas em observar, detectar comportamentos e ter a atitude de ajudar (mentoring), pois enquanto alguns consideram normal fazer tudo online, num ambiente de trabalho ou mesmo familiar, é imprescíndivel que aja interação pessoal, expressão de idéias diretamente e a dos sentimentos, de forma moderada.

No meu caso, me preocupo menos em estar atualizado com todas as tecnologias e me concentro mais no ser humano. Sinto que é uma das coisas mais difíceis que já fiz na minha vida profissional. E na visão de Stone, paira uma tremenda dúvida: “Essa versatildade é fantástica quando estão matando o tempo, mas será que uma geração mais nova conseguirá se concentrar na escola e trabalhar como os mais velhos?

São pontos polêmicos e gostaria de conhecer a sua opinião.





conheça Gabriel Naressi, o famoso blogueiro de 12 anos

23 01 2009

gabriel-naressi

Qual é a idade ideal para uma pessoa começar a blogar? Não existe um padrão. Quem prova isso é Gabriel Naressi, um garoto de 12 anos, estudante do 8o. ano do ensino fundamental. Nascido em São José dos Campos, interior de São Paulo, Naressi leva uma vida normal. Estuda pela manhã, se diverte como qualquer garoto na sua faixa etária, faz as tarefas da escola e reserva um tempo para blogar. Não costuma assinar feeds. Entra nos blogs que mais gosta e começa a pesquisar tudo o que aparece de interessante. Como resultado de toda essa dedicação, ele ganhou a notoriedade dos marmanjos da blogosfera e o respeito de quem leva isso muito a sério. Posts? No mínimo um por dia.

Me lembro dos meus 12 anos. Não tinha nem metade da cabeça do Gabriel. Ele tem olhar atento, analisa os detalhes das perguntas e se esmera na qualidade das respostas: curtas e objetivas. Ajuda o fato de ele ser estudioso, se interessar por leitura e, coisa rara da idade, gostar de estar atualizado com as notícias. Conheça um pouco mais de sua vida na entrevista realizada pelo Social Media Club, durante a Campus Party 2009.

Quando você começou a blogar e por que?

GN – Comecei a blogar em maio de 2008, usando WordPress. Eu entrava na internet e lia muitos blogs porque eu achava interessante. Usava um computador da família. Antes jogava videogame, andava de bicicleta e jogava futebol, mas eu sentia que faltava alguma coisa que eu gostava. E aí eu descobri que eu gostava mesmo de blogar. Foi assim que eu criei o blog mundotosco.

Me fale sobre suas influências na web.

GN- Lia blogs de entretenimento, notícias, futebol, humor, tecnologia e outros. Tem várias coisas e é difícil listar tudo. Gosto de humor e meu blog não poderia seguir outra linha: piadas, tirinhas, flashes – vídeos, entretenimento, coisas interessantes, curiosidades, notícias. É mais ou menos isso.

Qual é o perfil de seu público?

GN – O meu público é jovem na maioria. Diariamente eu recebo, em média, 150 visitas. E continua crescendo muito rápido. Eu divulgo para todo mundo. Por exemplo, na Campus Party 2009, eu venho e distribuo cartão de visita, bottom e chaveiro (com o logotipo do “tosquinho”). Participo de vários encontros de blogueiros: Intercon, BlogCamp…Meu irmão me dá uma forcinha em vários aspectos, inclusive com adsense e toda a infra-estrutura de hospedagem.

Aonde você buscou suas referências para se inspirar?

GN – Foram muitas. Entre elas eu destaco: Interney, bobagento, Ah! tri ne! e brogui.com.

Você disse que faltava alguma coisa na sua vida. Qual é o prazer em blogar?

GN – Me expressar pelo blog, ter meus leitores e participar da blogosfera.

Como você se vê daqui a seis anos?

GN – Não sei ainda que profissão eu vou seguir, mas eu sei que quero continuar com o meu blog. Quem sabe um dia virar problogger, aquela pessoa que trabalha com blog e segue sua profissão normal paralelamente.

Qual o conselho que você dá para as empresas que não acreditam nos blogs e nas demais mídias sociais?

GN – Os blogs vão crescer e ganharão tanta importância que serão maiores que as mídias de massa tradicionais. Mas quando eles (empresários) perceberem, este mercado estará muito grande.

Veja outras entrevistas com Gabriel Naressi:

Cocadaboa

GF Soluções

Link





o isolamento que gera a colaboração

31 10 2007

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Em 1990 decidi fazer um curso de especialização de 12 meses na USP chamado “Comunicação e Educação”. Fui convencido pelo meu sábio e admirável orientador a me enveredar fundo no tema “Leitura Crítica dos Jornais”, inspirado no Folhateen. A idéia surgiu depois de trabalhar por dois anos como disc-joquey e procurar entender o comportamento daquela geração de jovens, ávidos pela balada da noite. Tive uma oportunidade única de manter contato com uma galera de escolas públicas e privadas para comparar que pautas eles fariam, caso estivessem na pele de jornalistas.

Entre os vários livros que eu estudei, alguns eram de autores europeus e destacavam o risco do isolamento dos adolescentes em função dos dispositivos móveis que incentivavam o uso do headphone (leia-se walkman). Naquela época, eu fiquei triste com a perspectiva de que a novidade que eu queria tanto comprar, mas não tinha recur$o$, poderia contribuir para o isolamento dos jovens.

Passados 17 anos, tenho outra visão que eu quero compartilhar com você:

De música a aprendizado: graças a Deus a preferência pela música prevalece, mas a qualidade dos podcasts cresce de maneira espantosa e para melhor. Aprendemos enquanto estamos em movimento.

O vírus contagiou gerações: essa coisa de jovem extrapolou para crianças, adultos e a turma da “melhor idade”. O que antes era criticado agora é tratado de forma colaborativa. Ao olhar pelo ângulo musical, não dá para negar, até porque o mix de ritmos ajudou muito. Vejo tango em ritmo dance, flashback em ritmo lounge, assim como bossa nova com toques de tecno. Que maravilha!

Isolamento fomenta colaboração? É difícil participar de uma comunidade, respondendo a mensagens, fazendo uploads de fotos ou escolhendo os botões do smartphone para teclar, sem estar concentrado. É desculpa esfarrapada? Sem dúvida, mas gera endorfina do mesmo jeito. Para quem está na situação de “garrafas ao mar” (aquela de filmes mesmo) é uma boa saída, mas para quem está acompanhado o tempo todo, vale uma reflexão (aguardo a sua experiência, caro leitor em “comentários”).

Um por todos e todos por um: Quem diria que os “Três Mosqueteiros” tiveram a visão do browser? Pois é… a raposa “tirou do cão” a privilegiada posição de melhor amigo do homem.

Para finalizar, eu queria dizer que sou um “convertido”. Antes era um “reformatado” do mundo 1.0 para o mundo social media. É inevitável comparar os dois mundos, pois quando se é feliz na infância e na adolescência (pela definição, até 25 anos), as boas lembranças devem ser compartilhadas.