dei sorte para o azar e ganhei um passeio: notas sobre o uso de recursos tecnológicos e mídias sociais

26 03 2011

Sempre considerei as promoções com cupons de lojas apenas papéis “pega-moscas” para cadastro de email marketing. Afinal, você conhece algum vencedor de uma iniciativa desse tipo? Não?! Pois saiba que eu fui contemplado com uma viagem para a Vinícola Finca La Célia, em Mendoza, Argentina, com tudo pago. Óbvio, eu não estou aqui para tripudiar em cima de você com as delícias do passeio, mas quero contar as experiências de uma pessoa que ficou conectada o trajeto todo da viagem e fez uso da mídia social para compartilhar com amigos os acontecimentos. Inclusive, fique à vontade para sugerir alternativas melhores às minhas escolhidas.

Viajei munido de um Macbook, iPhone4 (Vivo) e um iPad (microchip Claro). Tomei o cuidado de ativar o roaming da Vivo, mas esqueci de verificar como funcionava o da Claro, o que foi uma completa bobeada minha, pois sempre, em algum momento vamos precisar de uma operadora em detrimento à deficiência|vantagem de outra.

A primeira parada no Aeroporto Internacional de Guarulhos foi tranqüila. Para evitar imprevistos, tanto em aeroportos quanto em shoppings centers e demais locais públicos com cobertura, eu assino Vex. Nunca fiquei a ver navios dessa maneira.

Surpresa eu tive ao chegar no Chile, primeiro ponto de minha escala, o Santiago International Airport. A Claro tem uma parceria local e o microchip do iPad funcionou bem, enquanto o meu celular Vivo ainda continuava enviando mensagens para ativação do roaming, o que eu já tinha providenciado na noite anterior.

Na sequência de minha viagem, ao sobrevoar Mendoza, experimentei a lente “objetiva” adaptada para o iPhone4 e consegui captar bonitas imagens das Cordilheiras dos Andes, dentro de padrões aceitáveis.

Preocupação mesmo eu tive em meu destino final: Mendoza. Fiquei desconectado do mundo. Nada funcionou.

registros na vinícola: iPhone4 e Instagram

Para aqueles que não me conhecem, eu nunca gostei de tirar fotos. Peguei gosto pelas câmeras há uns três anos, quando percebi que compartilhar e colaborar tinha ficado melhor e mais fácil com os canais sociais. Segundo pesquisa da Kodak , realizada em meados de 2010, o advento da câmera embutida no celular aumentou em 10 vezes os cliques dos usuários por ano, passando de 60 para 600 a média de fotos por pessoa.

Pois é… então ficou difícil aterrizar em Finca La Célia, uma vinícola charmosa e acolhedora, cuja fundação remonta a 1890, e deixar  a câmera de lado, principalmente porque o insistente pano de fundo das Cordilheiras dos Andes combinava com tudo e todos os passeios.

Uma das experiências mais positivas de toda a viagem foi o uso da câmera de filmagem do iPhone4. Com banda larga na vinícola, consegui compartilhar rapidamente no flickr (via flickit) os vídeos gravados durante os passeios e registrar, para a minha memória (e dos amigos que fiz por lá), algumas das explicações que a nossa guia Grisel detalhava ao longo do roteiro turístico.

O Instagram foi uma plataforma que me acompanhou nos principais roteiros e me colocou em contato imediato com os amigos, assim como o Foursquare. Recomendo que os dois recursos sejam estudados por quem viaja e que suas experiências sejam amplamente compartilhadas. Se você já teve as suas, deixe o seu comentário.





uma grata surpresa na sala de aula

5 11 2010

Tem coisas que deixam muito clara a diferença entre as gerações: expressões, filmes, músicas, fotos, ou simplesmente a idade. Eu iniciei meus estudos numa faculdade em São Paulo e depois me mudei para o Triângulo Mineiro (para ficar mais próximo dos meus irmãos), onde conclui o curso de jornalismo. Para ampliar meus conhecimentos e matar a curiosidade sobre o nível dos cursos em São Paulo, continuei por alguns anos seguidos meus estudos no período pós-formado, em instituições de ensino das mais renomadas.

No mês passado, tive a oportunidade de voltar para a sala de aula e matar uma curiosidade: como estava sendo tratado o assunto “mídia social” no meio universitário?  Tive uma grata surpresa. Grupos de alunos do 6o. semestre do curso de Publicidade e Propaganda da Fapcom me apresentaram seus projetos de blogs e fiquei impressionado com o grau de profissionalismo da turma. Seguiam uma metodologia aplicada no mercado profissional; dominavam seus temas; falavam com entusiamo e tinham uma infraestrutura impressionante.

Nos últimos anos, eu tenho sido convidado com frequência para dar palestras em cursos de MBA e congressos. Comparando os

tipos de eventos educacionais e perfis de estudantes, deu para perceber uma nítida evolução das mídias sociais em sala de aula. Para os graduandos, ressaltei que existe hoje um mercado em franca expansão e, se na minha época, conseguir fazer uma faculdade era privilégio de poucos – e ainda continua a ser – fazer um curso com aquela base de ensino e visão de mercado já seria um bom caminho para a definição da carreira de alguns deles.

Em minha trajetória educacional, quando jovem, mesmo com poucas opções de curso|emprego na década de 80, sofri demais com as escolhas. Segui algumas e errei em escolher outras, mas a vocação profissional apontou o caminho certo. Hoje, eu já vejo os alunos com as idéias fervilhando e uma excitação enorme em botar tudo em prática. Sinto aquela veia de empreendedorismo, muito tímida no passado, na “Era do Emprego”. Sim!! estimulo o empreendedorismo nos jovens, pois as portas nunca estiveram tão abertas para toda uma geração.





what is your social intent?

1 02 2010




um ano de expectativas e boas experiências

17 01 2010

31.12.2009, 6hs, no ponto mais alto de Poços de Caldas – MG

Em janeiro de 2009, durante a reunião de kick off do Grupo RMA, participei de um “ritual” interessante e muito conhecido por você, creio eu. Tive que mentalizar um desejo, escrevê-lo num papel e guardá-lo numa urna, torcendo, obviamente, para que ele fosse concretizado.

O que aconteceu de lá para cá, passados 12 meses? Sem dúvida, o tema “mídia social” preencheu 24 horas do meu dia, ainda mais com o desafio de, juntamente com a equipe, viabilizar a Polvora! num início de ano lembrado pela frase  “crise econômica global”. Vou registrar alguns aprendizados, marcantes no árduo período.

O MUNDO PLANO – Sim! É uma referência ao best seller de Thomas Friedman. Claro que eu não passei nem perto de rodar a quilometragem do autor, mas aprendi a olhar o meu mundo de uma forma mais ampla, com menos preconceito, livre, democrática, sem barreiras, onde o tema principal foi a mídia social. Conheci muitas pessoas em diversas regiões do Brasil. Muitas mesmo. Tive a oportunidade de ensinar e aprender de forma prazeirosa, curiosa e enriquecedora. Só tenho a agradecer a todos os meus contatos.

NOVOS HORIZONTES – Me refiro à minha experiência acadêmica e contatos com comunidades. Fiquei positivamente impressionado com o interesse dos alunos e professores no tema mídia social, ao longo de 2009 e, principalmente, como eles bem se organizam na web. Participei de forma atuante das aulas-convite. Ouvi com atenção às inteligentes intervenções dos colaboradores. Pelo lado corporativo, entender que a mídia social, tornou-se o eixo para profissionais com formação multidisciplinar foi excelente. Existe oportunidade para todos. Esse será o grande desafio para o RH nesse ambiente quadradinho e ainda pouco adaptado.

PROJETOS – Sem sombra de dúvida, a experiência com esse tema daria um livro. Quantos tombos e conquistas em tão pouco tempo…Aqui dá para listar algumas importantes dicas para a sua empresa minimizar riscos e buscar uma experiência positiva:

  1. Entenda a maturidade web do seu negócio: pessoas, infra, cultura, políticas de segurança, de informação, RH…
  2. Faça um diagnóstico, seja para campanhas, seja para gestão web em bases recorrentes, antes de dizer “OK”, no impulso, para qualquer iniciativa.
  3. Respeite sempre o que as pessoas querem conversar, considerando uma “estratégia de diálogo”.

Parece pouco, não? Mas na prática, posso afirmar que os três pontos representam a escolha entre construir a base de uma pirâmide de rochas ou de baralho, dependendo de como elas forem concebidas.

DIÁLOGO X CONTEÚDO – Foi realmente um ano curioso. Conheci pessoas que estavam há muito tempo inseridas na mídia social, mas de repente sumiram. Outros seguiram o caminho da notoriedade com sucesso. Pela porta do encantamento dos canais sociais a maioria seguiu, também pudera, são maravilhosos mesmo. Mas foram raras as pessoas que descobriram a mídia social, na minha visão, que conseguiram entender a essência da relação diálogo X conteúdo. Acredito que 2010 seja o ano para esse tema amadurecer com velocidade no meio corporativo.

TRADICIONAL X SOCIAL – Não esperava acompanhar as duas mídias criando sinergia tão rápido, gerando referências cruzadas a todo instante e, muitas vezes, no entanto, uma confusão na cabeça das pessoas menos antenadas (não é fácil acompanhar tudo, nesse mundo volátil, certo?). O importante é que o cenário de guerra inicial, vem cedendo espaço à colaboração. Dessa forma, todos saem ganhando e veremos muitas novidades daqui em diante.





vamos conviver com os princípios complementares da comunicação

18 10 2009

yin yang

[ilustração by dalehugo]

Qual a relação entre Yin/Yang e o momento da comunicação que vivemos hoje? O conceito dos Princípios Complementares prega que duas forças compõem tudo o que existe. E a partir do equilíbrio dinâmico entre elas surge o movimento e a mutação.

Pois bem, mídia social é uma novidade e, ao mesmo tempo, o dilema para o mundo corporativo. Existem barreiras culturais, tecnológicas e de infraestrutura separando o desejo em se experimentar com o medo de um projeto ser frustrante e não atender às expectativas do board de diretores.

À medida que o mercado evolui, fica cada vez mais difícil distinguir as “ondas voláteis” das “tendências”. Afinal, as duas ganham destaque na mídia e quando não estudadas deixam uma sensação de perda de oportunidade e atraso.

Tenho vivido situações curiosas. Em reuniões, por exemplo,  seguido do primeiro aperto de mão, troca de cartões e dos minutos iniciais para matar a curiosidade sobre a hype que é tal da “mídia social”, vem a etapa – por vezes antecipada – do “não faz sentido”:

  • [1] Não faz sentido convencer que o boca-a-boca (WOM) é parte da evolução da comunicação num mercado onde predomina a guerra (WAR) dos empurrões e domínios, pressão por posicionamento de marcas, ofertas e metas de vendas desafiadoras ano após ano.
  • [2] Não faz sentido valorizar as redes sociais, se os contatos de cada uma das pessoas da rede de interesse podem ser adquiridos num mailing list de empresas especializadas.
  • [3] Não faz sentido trocar o certo (tradicional) pelo duvidoso (leia-se mídia social).
  • [4] Não faz sentido misturar negócios com coisas informais (redes sociais).
  • [5] Não faz sentido trocar ações de curto prazo e “centenárias” por outras de médio e longo prazos, ainda incipientes.

De forma alguma eu cobro um alinhamento de percepções. Esse período deve chegar nos próximos anos. Mas quero sim compartilhar alguns aprendizados, relacionados aos tópicos acima.

  • A sociedade ainda não amadureceu o suficiente para perceber que as mídias sociais vieram para ficar, mesmo que a proposta seja de liberdade no sentido de ver, ouvir, aprender e conversar, independente do formato ou do meio.
  • Como decorrência dessa cultura, vivemos o momento do P2P (Pessoas-Pessoas), onde o B2B e o B2C ainda predominam, mas todos os três elementos se misturam e a influência importa mais do que o domínio.
  • Sendo o P2P algo tão atraente e encantador, nada melhor do que as redes sociais para proporcionar tal relacionamento, ainda mais porque elas existem de acordo com o perfil do público.
  • Apesar da liberdade e variedade dos meios, o P2P criou etiquetas tão naturais e sérias como aquelas aplicadas em rodas de conversa: peça licença para entrar, mantenha-se no tema da turma e não force a barra para que os outros te escutem. E, ao contrário dos mailings comprados, cada pessoa que gostar do papo, será atraída e sua marca (CPF ou CNPJ) inserida de forma legítima, sem linguagens fora de contexto ou materiais promocionais empurrados.
  • Agora, tudo isso dá mais trabalho sim, pois nenhum relacionamento é mantido sem contato, sem trocas de conhecimento e sem valor agregado. Nada frio é duradouro. Nós mesmos estamos cansados de jogar malas diretas no lixo e email marketing de produtos, marcas, promoções e eventos na pasta de spams.

As coisas centenárias merecem toda a nossa gratidão pelos bons serviços prestados. Agora é o momento de renovação gradativa, onde o tradicional e o novo compõem um mix. Falar em revolução ainda considero prematuro e radical. E nesse momento, volto ao conceito dos Princípios Complementares. Um não elimina o outro, mas juntos criam uma sinergia sem precedentes na história da comunicação. Vivemos o desafio de gerar resultados num cenário WAR, mas aposto no WOM, como forma predileta do relacionamento humano.





como clientes e agências podem trabalhar juntos na mídia social

18 06 2009