saiba porque adotar o PR 2.0

13 01 2009

Este é um longo projeto que o Grupo RMA vem tocando desde 2006 e diz respeito a quebras de paradigmas da assessoria de imprensa tradicional, versus o modelo a ser adotado no cenário da mídia social. O post, produzido pelo meu sócio e presidente do Grupo RMA, Augusto C. V. Pinto, ressalta a diferença entre “empurrar uma informação chapada” e “contextualizar uma informação por diferentes canais de forma atraente”. É um tema polêmico? Sim! Será muito discutido? Sim! Então vamos entrar de forma mais intensa.

augustocvpinto

“PR em inglês, ou RP em português, é a sigla para “Relações Públicas”, a designação mais cool para assessoria de imprensa. Sugiro que utilizemos a sigla PR, já que vamos nos referir a uma história que se inicia nos USA. O PR nasceu em 1906, nos USA, junto com o press release. O press release foi inventado pelo jornalista Ivy Lee, com o objetivo de gerenciar a comunicação de uma crise, disparada por um acidente ferroviário que matou 50 pessoas. Na época o objetivo de Lee era apenas reportar os fatos com precisão e velocidade, de maneira padronizada, para todos as mídias relevantes, ao mesmo tempo.

Nestes mais de 100 anos, o press release envelheceu, sem perder sua prinicipal característica que é a factualidade. Um bom press release reporta fatos e ponto. O processo de desgaste dos chamados press releases está relacionado a vários aspectos:

  • Ninguém mais, principalmente os jornalistas, necessita receber fatos reportando um acontecimento importante. Os fatos relevantes permeiam nossas vidas, na velocidade da Internet.
  • Os jornalistas hoje são poucos, para muitas empresas querendo comunicar seus fatos mais importantes.
  • A maioria dos “fatos importantes” enviados pelas empresas, vias suas assessorias de imprensa, são irrelevantes e de interesse restrito para publicação em massa.
  • O mesmo fato pode gerar diferentes leituras, dependendo do contexto em que se aplique. Isso explica as frustrações que às vezes as empresas têm com as matérias envolvendo seu nome, quando o contexto em que imaginaram a interpretação de um fato, não corresponde à contextualização dada pelo jornalista.

A tudo isso que descrevemos acima se designa genericamente por “PR 1.0”, ou seja, o PR que utiliza de press releases para tentar vender pautas para a mídia, “empurrando” informações supostamente interessantes. Por razões mais ou menos óbvias, o PR 1.0 está morrendo junto com o press release, sobrando algumas dúvidas com relação à data do enterro…
Mas, nem a imprensa tradicional, nem o PR estão mortos, ou perderam o sentido. Então, o que se sucederá ao PR 1.0 e ao press release? Obviamente, ao PR 1.0 sucederá o PR 2.0?! Essa nova onda vem junto com a onda da Internet, que é hoje a principal fonte de informações dos jornalistas (e também dos leitores).

Junto com o PR 2.0 surgiu o Social Media Release, ou seja, uma plataforma para comunicar notícias relevantes, utilizando a Internet como seu principal veículo. O Social Media Release é ambivalente. Ele é escrito para ser lido diretamente na web, por jornalistas, e/ou leitores, mas também pode ser utilizado pela assessorial de imprensa para “vender uma pauta” para a mídia.

O Social Media Release é bem diferente dos velhos press releases. Suas principais características são:

  • Contextualização: o Social Media Release aponta cenários, através de links web para conteúdos multimídia relevantes.
  • Acesso democrático: disponível para todos, de forma aberta, via Internet.
  • Credibilidade: todo o material apresentado deve ser cuidadosamente checado quanto à segurança e credibilidade.
  • Cultura de rede: quem publica um Social Media Release deve estar preparado para receber comentários, críticas, deve permitir que o material seja reutilizado, remixado e distribuído sem nenhum tipo de controle.
  • Visibilidade: o Social Media Release deve ser vísivel na web, através de recursos como RSS, bookmarking e tagging.

Que tal? Parece obviamente simples e criativo, não é mesmo? No entanto, esse conceito começa a se consolidar ainda vagarosamente dentro das empresas e na indústria de mídia. Dia virá que as assessorias de imprensa apenas publicarão seus Social Media Release em páginas web denominadas Social Media Newsrooms, onde os jornalistas farão subscrição para os temas de seu interesse no momento. E os leitores apressadinhos poderão ler o material in natura, sem esperar por sua publicação formal. Quem viver verá…”


Ações

Information

9 responses

13 01 2009
Alguns pensamentos sobre PR 2.0 | Peixe Fresco

[…] que eu tenho para escrever neste blog, há um que tem participado ativamente do meu dia a dia: o tal do PR 2.0, ou Assessoria 2.0, Assessoria para a web, ou algum outro palavrão relacionado. Então resolvi […]

19 01 2009
Blog Horizonte RP » Do release tradicional ao Social Media Release

[…] Clique aqui para ver o post completo. […]

19 01 2009
entrevista com um dos fundadores do Social Media Club « social media club

[…] Outra tendência a destacar é o conceito de social media release,  que você mostrou em seu material. Tenho me envolvido em projetos de empresas que buscam desenvolver o conceito de community […]

26 01 2009
Rede de relacionamento ao vivo e a cores | A vida como a vida quer

[…] os debatedores do #pr20 escutei que “assim como algumas pessoas não conseguem mexer num controle remoto, outras […]

24 03 2009
flavitavalsani

Acho super positiva toda a discussão e de uma maneira geral o movimento tem sido bem vagaroso mesmo. Uma das coisas que eu acho mais interessante “na vida” é poder trabalhar em conjunto e, por isso, tenho algumas ponderações:

* não acho que dizer que RP é o nome mais “cool” de assessoria de imprensa seja uma boa definição, uma vez que relações públicas não é sinônimo de AI. Em RP, você sabe tão bem quanto eu, há uma penca de atividades que não envolve relações com imprensa. O fato de clientes e mercado só conhecerem uma ferramenta mais visível (como AI ou eventos) não nos permite reduzir RP a essas atividades;

* O maior problem a aqui (para mim) não é PR 1.0 versus 2.0. Numa boa, muitas empresas ainda nem entenderam o 1.0 e estão tendo uma dificuldade tremenda para sacar a importância do 2.0. E quando acham que 2.0 é importante querem importar os mesmos conceitos/dinâmica do 1.0. A forma pode ter mudado, mas a cabeça continua a mesma…o que me leva….

* ao meu terceiro ponto: o social media release é mais prático, mais interativo, direto ao ponto etc só que não resolve o problema básico que é a relevância do tema para o jornalista. Quem faz mal release 1.0 vai fazer mal o 2.0. Infelizmente não é montar com outra estrutura, linkar para outras páginas, “taggear” etc que vai resolver o problema. Essa é uma forma mais “cool” de apresentar a informação. Se ela não for relevante vai pra lixeira do mesmo jeito. Além disso, vários itens do social media release deveriam ser obrigatórios no release 1.0: credibilidade, informação apurada, contextualização, referências etc. Só que vamos lembrar que existem clientes que às vezes restringem ou realmente não têm toda a info necessária. Outra coisa, release era considerada matéria-prima e não matéria final. Cada vez mais sinto que o release é quase que a matéria que vai ser publicada por que a mídia hoje não tem equipe suficiente, tempo suficiente ou competência suficiente para apurar as pautas como elas mereciam.

* Importante também que SP, RJ e BSB não são o Brasil. Para um dos meus clientes um dos focos principais é uma cidade de 7 mil habitantes. A equipe de lá vai levar um bom tempo para aceitar o RSS. Tem gente que ainda me pede release por fax porque não acessa muito o email. Tem jornalista que se recusa a fazer o download da foto em alta no meu site: “ah me manda por email, é mais fácil”. Isso é realidade.

Em suma, é devagar porque é muita gente “analógica” para um mundo “digital”. Vamos batalhar pela transformação, mas eu continuo achando que a origem do problema é a mesma. Compreender na essência o que é comunicação e isso…bom…você sabe…

24 03 2009
msoma

Flavita, todos os seus pontos são relevantes e fazem sentido. Posso dizer que sou da velha guarda (sempre curti pesquisar e fazer pautas elaboradas. Assim construi minha carreira e reputação) e à favor de um bom texto, baseado no profundo conhecimento do cliente/mercado, uma boa argumentação e muita cultura/educação para as empresas entenderem o que é informação relevante. O ponto do SMR é justamente proporcionar uma contextualização e não somente o fato pelo fato. Não serão links aleatórios ou que indiquem o portal do cliente que farão a diferença, mas sim o tempo de análise tanto do tema quanto a linha editorial de determinado veículo, blog, etc. Além disso, os search engines têm um papel duplo: destacar o que é bom e desmascarar o que não é, justamente pela referência, o que muitas vezes o formato atual dos press releases não permite. Concordo tb que o processo é lento, mas temos que começar uma hora.

25 03 2009
flavitavalsani

Concordo. Aliás, farei o possível para efetivamente chegar no próximo twitterlunch. No último fiquei presa do outro lado da cidade ;o)

13 05 2009
Prazer, André 2.0 « DINONIAS

[…] segundo o blog Social Media Club, é o jeito mais “cool” de se dizer assessoria de imprensa, (pela foto do senhor ele […]

21 05 2009
PR or RP « Novas Technologias’s Blog

[…] Essa nova maneira de obter informações veio em boa hora, onde tudo agora é de graça, tudo é público, e usa uma rede. Nada mais IN do que essa nova forma dos jornalistas de publicar seu material. Para mais informações sobre essa nova onda acesse: https://msoma.wordpress.com/2009/01/13/saiba-porque-adotar-o-pr-20/ […]

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