sem diagnóstico não há projeto. Entendeu?

19 09 2008

O paciente entra no hospital e diz – convicto – ao médico:

“doutor, eu tenho uma dor aqui e preciso fazer a tal da ressonância magnética. Depois que o resultado apontar um quadro pior do que eu imagino, aí o doutor me interna e faz uma cirurgia bem aqui ó! Assim que eu receber a alta do hospital, o doutor prescreverá os seguintes medicamentos: A injetável, B comprimidos 2x ao dia e C, 20 gotas a cada 8 horas durante 10 dias.”

É exatamente assim que eu leio algumas reuniões das quais eu participo no mundo corporativo. Em minha peregrinação pelos projetos, infelizmente, tenho recorrentemente visto, ouvido e rebatido com freqüência e veemência a mesma argumentação. E olha que tenho queimado muita sola de sapato por aí. Pior, tem gente que acredita que é possível prever os detalhes da cauda longa. A afirmação por si só já é um contra-senso, certo? Prepotências à parte, pela ingênua falta de informação (e não por algo ruim planejado), faço desse post meu instrumento de reflexão, como sempre. Para aqueles que não atuam de forma ingênua, lanço o seguinte desafio:

Senhores gurus, canetas a postos na mão, me respondam com rapidez:

1. Qual é o comprimento da cauda longa para o uso fim do seu projeto?
2. Quantas pessoas participam?
3. Aonde se compra o mailing desses participantes?
4. Agora – sem pestanejar, por favor – qual é perfil exato dessas pessoas?
5. Me liste, por extrato, quais as possíveis reações à prepotência corporativa?

Pois é…viu como é difícil responder aos questionamentos sem um diagnóstico? [sendo que mesmo com um diagnóstico, a informação não terá uma assertividade de 100%, pois além de longa, a cauda se movimenta de forma volátil].

Mais do que criticar, meu papel é o de primeiro constatar, depois discutir, evangelizar e esclarecer. Faço isso com prazer. Então seguem minhas singelas orientações, com base em projetos, conversas e troca de experiências dos últimos 24 meses:

  • Faça um workshop interno e compartilhe com todos os profissionais o que você tem em mente. Procure ter uma visão holística do projeto e seus objetivos bem claros. Nessa etapa é muito importante que as pessoas já tenham passado por um processo de educação e cultura sobre o mundo da social media.
  • É critico saber do seu grupo se todos efetivamente entenderam a cultura da social media e a maturidade da empresa em entrar nesse mundo.
  • Faça o mapeamento do mercado em questão e observe as conversas que rolam nas comunidades, fóruns, blogs, etc.
  • Colete suas informações e monte uma base bem estruturada de conclusões que cruzem as expectativas da empresa com as expectativas das pessoas. Sinta se tudo isso faz sentido. É nessa fase que os projetos são alterados, incrementados ou mesmo cancelados.

É duro ouvir isso? É muito diferente do mundo tradicional? Paciência, pois é uma tendência sem volta. Como diz o velho ditado: “Antes prevenir do que remediar.”


Ações

Information

7 responses

21 09 2008
links for 2008-09-20

[…] sem diagnóstico não há projeto. Entendeu? « social media club uma explicação sobre porque o cliente de propaganda não está certo na maioria dos casos. (tags: socialmedia advertising) […]

24 09 2008
Orkut for business!!! | Peixe Fresco

[…] qualquer modo, são absolutamente necessárias duas coisas: diagnóstico e planejamento. Sem isso, é tiro no escuro! Rodrigo van Kampen @ setembro 24, 2008 « […]

14 10 2008
Jorge

Perdoe-me, mas a comparação não é feliz.
Aliás um paciente pode, sim, propor um diagnóstico a um médico, o que é até muito comum em tempos de Internet, assim como um cliente de uma arquiteta pode dizer mais ou menos como quer que seja o ambiente a ser decorado/construído, competindo ao arquiteto dar uma forma mais perto do aceitável, mas sempre ouvindo o seu cliente.
Querer afastar o cliente do processo criativo me parece uma certa e desnecessária presunção.

14 10 2008
msoma

Jorge,

Perdoe-me, mas acho que fui claro no exemplo. O paciente não está propondo um diagnóstico e sim afirmando o que tem, inclusive com os próximos passos no detalhe. Aí é ele que não busca a conversa. Digo isso pq estou estou num projeto com renomados médicos e estudo o assunto em profundidade. Um dos grandes problemas desses profissionais é que eles recebem em consulta um paciente que leu de tudo na web e interpretou o cenário sem a menor competência para isso. E aí é que mora o perigo: no palpite e no “achismo”.

Meu blog fomenta a conversa e não a informação “empurrada”, portante eu nunca afastaria o cliente de um processo. Digo sim que a conversa é o que falta no mundo corporativo. No meu exemplo, nem o médico e nem o paciente são donos da verdade, mas sem um diagnóstico (conversa entre ambos e anamnese) tudo continuará sem solução.

15 01 2009
Rafiado

Opa, cara, meu nome é Kenzo Kimura, sou de Fortaleza-Ce e trabalho com redação publicitária (www.rafiado.blogspot.com). Me enviaram esse link por twitter e eu achei essa introdução muito auto-explicativa. Parabéns. Continuarei a visitar esse blog mais vezes.

15 01 2009
msoma

Kenzo, como diz aquele comercial da TV “os nossos japoneses são mais criativos que os outros” ou alguma coisa nessa linha, certo?! Visitei o seu blog que é um show de criativdade. Eu é que te parabenizo.

23 02 2009
como fazer o diagnóstico de um cenário web « social media club

[…] do mercado na web devem nortear uma campanha e todos os seus canais de comunicação. Fiz um post sobre o assunto em setembro do ano […]

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