o dilema de quem cresceu na década da centralização

29 03 2008

ampulheta-e-relogio.jpg Levou 10 anos (1994-2004) para a web ampliar seu domínio do mundo corporativo para a comunidade e, graças a Deus, evoluir numa velocidade alucinante. Na semana passada, ao bater um papo longo com o Edney, ele reforçava a tese de que não existe web 1.0 e web 2.0, mas sim uma forma diferente das pessoas participarem na internet.

No entanto, há um ponto importante nessa transição cultural da web que o mundo corporativo ainda não assimilou e que denuncia o conflito entre a centralização e a descentralização na cabeça das empresas. Me refiro ao fato de que, nos últimos projetos em que participei, os conceitos de eixo e participação legítima nas comunidades não foram sequer cogitados.

Existe um desconhecimento de que o eixo é o ambiente web que atrai e rotea os colaboradores interessados por assuntos afins. O mundo corporativo ainda insiste em sugerir projetos centrados num único ambiente online que hospede conteúdo, faça e-commerce e sirva como embrião para uma comunidade, no estilo all-in-one.

Se estamos vivendo o mundo do P2P (Pessoa-para-Pessoa), não há mais como pensar nessa linha. Não estou dizendo que os portais e websites corporativos devam sumir, mas a estratégia deve ser repensada num escopo muito mais amplo.

A grande virada da época social media foi a liberdade proporcionada às pessoas de ir e vir, falar e ouvir (nem sempre o que gostamos), ficar e sair a hora que bem entenderem de suas URLs. Elas escolhem a linguagem e os canais sociais a clicar. As comunidades que acertaram com mais aderência o “gosto do colaborador”, ao invés do “gosto do freguês”, vivem momentos de euforia com o sucesso.

Na linha das frases populares, eu diria que o “artista (leia-se empresa) deve ir aonde o povo está” e não apenas insistir em tentar lotar um auditório, com platéia fechada e restrita. Mas porque esse movimento ainda não ganhou tantos adeptos? Porque é mais fácil acreditar no sucesso registrado da bilheteria (o que não endossa a satisfação da platéia com o show) do que na satisfação espontânea estampada nos rostos das pessoas, que provavelmente comprarão o CD, o DVD e montarão seu próprio fã clube. Aí eu é que torço para a velocidade alucinante da web virar logo esta página da história.


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One response

1 04 2008
Luísa

dilemas que os pioneiros precisam enfrentar para conseguir evangelizar seu público. naõ dá para escapar disso, mas acho importante que a gente tenha isso em mente… acredito que em breve, poderemos parar para beber num bar e comentar como era quando começamos a fazer as pessoas entenderem isso!! =)

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