o isolamento que gera a colaboração

31 10 2007

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Em 1990 decidi fazer um curso de especialização de 12 meses na USP chamado “Comunicação e Educação”. Fui convencido pelo meu sábio e admirável orientador a me enveredar fundo no tema “Leitura Crítica dos Jornais”, inspirado no Folhateen. A idéia surgiu depois de trabalhar por dois anos como disc-joquey e procurar entender o comportamento daquela geração de jovens, ávidos pela balada da noite. Tive uma oportunidade única de manter contato com uma galera de escolas públicas e privadas para comparar que pautas eles fariam, caso estivessem na pele de jornalistas.

Entre os vários livros que eu estudei, alguns eram de autores europeus e destacavam o risco do isolamento dos adolescentes em função dos dispositivos móveis que incentivavam o uso do headphone (leia-se walkman). Naquela época, eu fiquei triste com a perspectiva de que a novidade que eu queria tanto comprar, mas não tinha recur$o$, poderia contribuir para o isolamento dos jovens.

Passados 17 anos, tenho outra visão que eu quero compartilhar com você:

De música a aprendizado: graças a Deus a preferência pela música prevalece, mas a qualidade dos podcasts cresce de maneira espantosa e para melhor. Aprendemos enquanto estamos em movimento.

O vírus contagiou gerações: essa coisa de jovem extrapolou para crianças, adultos e a turma da “melhor idade”. O que antes era criticado agora é tratado de forma colaborativa. Ao olhar pelo ângulo musical, não dá para negar, até porque o mix de ritmos ajudou muito. Vejo tango em ritmo dance, flashback em ritmo lounge, assim como bossa nova com toques de tecno. Que maravilha!

Isolamento fomenta colaboração? É difícil participar de uma comunidade, respondendo a mensagens, fazendo uploads de fotos ou escolhendo os botões do smartphone para teclar, sem estar concentrado. É desculpa esfarrapada? Sem dúvida, mas gera endorfina do mesmo jeito. Para quem está na situação de “garrafas ao mar” (aquela de filmes mesmo) é uma boa saída, mas para quem está acompanhado o tempo todo, vale uma reflexão (aguardo a sua experiência, caro leitor em “comentários”).

Um por todos e todos por um: Quem diria que os “Três Mosqueteiros” tiveram a visão do browser? Pois é… a raposa “tirou do cão” a privilegiada posição de melhor amigo do homem.

Para finalizar, eu queria dizer que sou um “convertido”. Antes era um “reformatado” do mundo 1.0 para o mundo social media. É inevitável comparar os dois mundos, pois quando se é feliz na infância e na adolescência (pela definição, até 25 anos), as boas lembranças devem ser compartilhadas.

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