o comportamento da “iGeração”

25 01 2010

Larry Rosen, professor de psicologia na Universidade Estadual da Califórnia (Cal State), autor do livro Rewired: Understanding the iGeneration and the Way They Learn, constatou que “jovens entre 16 e 18 anos realizam sete tarefas, em média, em seu tempo livre – como escrever mensagens de texto pelo telefone, enviar mensagens instantâneas e verificar o Facebook, enquanto estão sentados diante de uma televisão. As pessoas com pouco mais de 20 anos só conseguem realizar seis, e os que têm mais de 30, cerca de cinco e meia”.

As aspas são de Brad Stone, repórter especializado em tecnologia do The New York Times, autor do artigo “Filhos do ciberespaço: velhos aos 20 anos”, que me inspirou a escrever este post.

Rosen classificou de “geração Net”, aquela nascida nos anos 80 e, “iGeração”, a dos anos 90 e 00. Independentemente do neologismo do psicólogo, Brad Stone do NYT, destacou um ponto em seu artigo bem interessante aos negócios: “Isso lhes dará potencial para serem mais criativos que as gerações mais velhas – e talvez torná-los um alvo mais difícil para os marqueteiros da indústria”.

Outro relato interessante no artigo de Stone foi coletado de Mizuko Ito, antropóloga cultural e pesquisadora assistente do Instituto de Pesquisa em Ciências Humanas da Universidade da Califórnia. Segundo ela, o boom dos mundos virtuais voltados para crianças e jogos online, como Club Penguin e Moshi Monsters levam as crianças a terem menos distinção entre seus amigos online e os “humanos”. Como consequência, a socialização virtual poderá proporcionar tanta satisfação quanto uma confraternização nas noites de sexta-feira. “E elas provavelmente participarão mais ativamente de seus próprios entretenimentos, clicando o teclado em vez de se recostar no sofá”, explica Ito.

Ao ler o artigo, caiu a ficha de que já vivenciamos tudo isso. As crianças e jovens, quando visitam a minha família, já chegam com seus netbooks/games na mochila. Perguntam se tenho wi-fi. Eles somem no meio das conversas dos adultos e quando os procuramos, ou estão isolados, concentrados em algum site, blog, comunidade…, ou ensinando uns aos outros os truques para conseguir fazer “mais” com “menos” ou “mais rápido”.

Como se diz no mundo corporativo, estamos “trocando as turbinas da aeronave em pleno vôo”. Não temos como parar o relógio da vida e tomarmos aulas a respeito dos novos procedimentos. Tenho o papel de acompanhar toda essa evolução da sociedade. E o seu não será diferente.

Certa vez, ao participar de um painel com professores e estudantes da PUC-SP, afirmei que os jovens mais digitais se comunicavam melhor na forma escrita do que verbal. E essa foi uma das constatações de Rosen: “A iGeração passa muito mais tempo escrevendo que ao telefone, presta menos atenção à televisão que o grupo mais velho e tende a se comunicar mais em redes de mensagens instantâneas.”

Na sequência veio o questionamento do aluno da PUC:  “mas como você faz para conviver com este tipo de comportamento nas suas empresas, e, ao mesmo tempo, ajudar os jovens?” Respondi, olhando fixo em seus olhos, que a situação diz mais respeito às atitudes das pessoas em observar, detectar comportamentos e ter a atitude de ajudar (mentoring), pois enquanto alguns consideram normal fazer tudo online, num ambiente de trabalho ou mesmo familiar, é imprescíndivel que aja interação pessoal, expressão de idéias diretamente e a dos sentimentos, de forma moderada.

No meu caso, me preocupo menos em estar atualizado com todas as tecnologias e me concentro mais no ser humano. Sinto que é uma das coisas mais difíceis que já fiz na minha vida profissional. E na visão de Stone, paira uma tremenda dúvida: “Essa versatildade é fantástica quando estão matando o tempo, mas será que uma geração mais nova conseguirá se concentrar na escola e trabalhar como os mais velhos?

São pontos polêmicos e gostaria de conhecer a sua opinião.





a medicina no olho do furacão da web

9 10 2009

fotoblogueiros salvador

Esq:Roberto Camara Jr, Eduardo Sales, Eduardo Pelosi e Yuri Almeida foram os debatedores blogueiros

A pesquisa realizada pela revista Veja SP, com 1119 clínicos e cirurgiões que atendem em 21 hospitais públicos e privados da cidade de São Paulo mostrou que apenas 23% deles estão inseridos em redes sociais, tais como Orkut e Facebook ou fazem uso do Twitter. Essa poderia ser uma das várias razões para os médicos ficarem surpresos com algumas indagações feitas por seus pacientes que investem algumas horas do dia para garimpar suas “pepitas” (boas ou ruins) de informação, ávidos por uma discussão mais encorpada com os doutores.

No decorrer do debate #saudeconectada, que levou o tema Paciente Informado para um segundo round de questionamentos, surgiu uma suposição curiosa por parte do Dr. André Pereira, pesquisador da FioCruz: “o Dr. Google está substituindo a conversa entre medicos e pacientes?” Considerando que o tempo médio de atendimento de uma consulta médica pública mais comum, segundo a Veja SP, é feita em 15 minutos (41,5% dos respondentes), essa hipótese não poderia ser descartada.

Apesar da baixa adesão dos médicos às redes sociais, existe um outro grupo de profissonais com olhos bem abertos para o alto valor na web como forma de promover informações e diálogos. Ciente desse cenário, a FENAM (Federação Nacional dos Médicos) está começando a se movimentar no sentido de identificá-los por meio de um “selo”. Na visão de Eduardo Santana, Vice-Presidente da entidade,  e um dos debatedores, a implementação desse projeto faria o link necessário para associar o médico ao conteúdo gerado, transferindo inclusive a responsabilidade pela autoria e integridade dos seus registros.

A FENAM tem bons motivos para se preocupar. “Poder mudar a história de uma doença, tirar a dor  ou abreviar o sofrimento mexe com o ego e a sensibilidade dos médicos”, foi uma das frases mencionadas em Veja SP, na questão: “O exercício da medicina lhe dá sensação de poder?” Um verdadeiro abacaxi para descascar, caso alguém tenha pensamentos e atitudes maléficas no exercício de uma profissão tão respeitada e admirada, ao ponto da veneração.

Agora, cá entre nós, como argumentar o valor das mídias sociais, efetivamente quebrar tabus junto à classe médica, se entre uma ou outra clicada caímos em destaques como este aqui ou este aqui.

Na função de mediador do evento eu concordei e arrisquei prever que a sociedade médica, espero que munida da certificação médica, a médio prazo, tenderá a se organizar em portais, assim como são feitos em seus formatos tradicionais, com sedes, membros devidamente identificados e certificados por especialização.

O ponto colocado teria na web um paralelo sem precedentes de metodologia e estrutura, elevando o grau de exigência para um tripé fundamental, na opinião do pesquisador da FioCruz: “navegabilidade do ambiente, para que as informações sejam facilmente encontradas; legibilidade para que tudo seja entendido de maneira transparente e qualidade do conteúdo, por razões óbvias.”

debatedores salvador

Esq: Dr.André Pereira, Dr.Marcelo Matos, Felipe Rocha, Dr.Claudio Freitas e
Dr.Antístenes Albernaz

Fernando Vogt, diretor da InterSystems, colocou em perspectiva um novo paradigma que merece reflexão: “revolução não é o paciente informado, mas a informação do paciente disponibilizada em meio digital”. Eu vejo a verdade nas duas vertentes em discussão. Em termos de agilidade na movimentação, o retrato atual, bem desenhado pela Veja SP, está jogando “contra” médicos e pacientes, enquanto, na prática, as boas soluções são adotadas lentamente, sendo que algumas permanecem na fila da boa intenção.

E como não poderia faltar, destaco o olhar/alerta precioso que Yuri Almeida,  Herdeiro do Caos, passou para as instituições médicas e àquelas ligadas ao setor da Saúde:

“…A grande questão para os profissionais da área de saúde é: ocupar espaço no ciberespaço antes que os “não-médicos”, munidos de técnicas SEO e soluções milagrosas dominem a Web. Para isso, enxergar a Internet apenas como um meio de transmitir informação é pueril. Vale lembrar que a Web, sobretudo é espaço para interação, logo é preciso que os médicos se preocupem com seus pacientes além do consultório, estejam nas redes sociais, mantenham blogs ou pelo menos entendam que o Dr. Google é um aliado para o exercício de uma medicina mais humana e eficiente.”

Vale também visitar o post e os comentários feitos no blog de Roberto Camara Jr., Me Tire Deste Ócio!!!






saúde conectada amplia os horizontes

1 10 2009

foto pacienteinformado2

[O primeiro Paciente Informado foi realizado dia 19 de maio de 2009 em São Paulo]

Em maio deste ano organizei, juntamente com a minha equipe, o evento Paciente Informado pautado pela tese de mestrado – que leva o mesmo nome – da pesquisadora da Fiocruz, a doutoranda Helena Beatriz da Rocha Garbin. Em agosto eu participei, em companhia de médicos e representantes da entidade de classe, de uma discussão com a FENAM (Federação Nacional dos Médicos) sobre o tema “Certificação Médica” para sites e blogs de saúde.

Pois bem, agora em outubro completo um ano de inserção no segmento médico na web. Desde o início da minha jornada, eu tinha bem clara uma integração lógica e natural de todo o Sistema de Saúde: Público, Privado e Suplementar. Lógica esta traduzida num engano meu ao estudar com mais profundidade os conflitos de DNA de cada “ser” do setor da Saúde.

Ao longo desses 12 meses, convivendo com médicos, pacientes, pesquisadores, professores, gestores, jornalistas, blogueiros e empresários, enxerguei uma luz no final do túnel para esse paradigma, que realmente fosse capaz de transformar os três sistemas em pessoas, representantes legítimos. Melhor ainda, proporcionar o diálogo entre diferentes DNAs, mixando experts e leigos, sem crachás.

No dia 8 de outubro, das 14hs às 16hs, todo esse esforço será colocado à prova durante o evento Paciente Informado, em Salvador. Para a minha surpresa, confirmaram presença os representantes da FENAM, ABO-BA, blogueiros, jornalistas, médicos, odontologistas e empresários, debatedores em torno dos seguintes temas:

  • Paciente Informado – como a Internet pode ajudar ou prejudicar pacientes e profissionais a se informar sobre saúde.
  • Médico Informado - quais são os recursos disponíveis para tornar o médico melhor informado sobre seus pacientes.
  • Certificação Médica – como identificar o médico na web e passar a acompanhar a qualidade do conteúdo publicado.
  • Odontologista na web - como os profissionais do setor podem se adaptar aos tempos de web 2.0 na mesma linha dos médicos.

Você poderá acompanhar a discussão pelo twitter #saudeconectada. Participe! Alguns dos temas a serem debatidos foram amplamente pesquisados em uma reportagem de capa da revista Veja SP.

O que os médicos tem na cabeça

“Uma pesquisa com 1119 clínicos e cirurgiões que atendem em 21 hospitais públicos e privados da cidade.”

relacao-med05

ilustração: Veja SP




a síndrome da bola de cristal persiste

28 08 2009

Alguns paradigmas do mundo corporativo ainda não foram quebrados. Persiste em reuniões de prospecções e workshops aquela ladainha de meados de 2006:

  • Em mídia social tudo é freeware;
  • Faz um viralzinho baratinho e aí a coisa pega fogo;
  • Basta dar brindes e pagar pouco para blogueiros que as coisas acontecem;
  • Vamos fazer “assim”… que as pessoas vão clicar “por aqui” e as coisas se converterão “por ali”.

Se não existe “bala de prata” em projetos de mídia social, não faz sentido a síndrome da bola de cristal continuar viva. Quando eu desmonto todos esses (e mais alguns) mitos vem a expressão: “nooossa, não é assim então?!”

  • Muita coisa em mídia social é freeware sim, mas e o profissional que investiu horas pesquisando, navegando e estudando tecnologias, plataformas, interfaces, plugins? Vale muito e eu sei o quanto as pessoas varam madrugadas para isso, numa obsessão pela resposta para o cliente.
  • Viralzinho baratinho até pode existir, mas espero que os “carinhos” e bem feitos prevaleçam.
  • Nos últimos meses, a mídia tem dado bastante destaque à evolução da blogosfera. Bom por um lado, para o lado daqueles que batalharam para chegar lá. Por outro, pode ter criado uma percepção deturpada da dura realidade. Aguardo os seus comentários sobre esse polêmico fenômeno.

revista epocafonte

  • Enfim, a bola de cristal do “faz isso” que “acontece aquilo” é prejudicial a qualquer campanha. É preciso estudar, mapear, mas principalmente, conversar com as pessoas para saber o que elas realmente desejam. Aí sim a “lógica” vira “prática”.




um NOB, um twitterlunch e uma matéria na Época

17 04 2009

Eu praticamente fiz um refresh” do post sobre o #NOBCriciuma. Qual a relevância disso? Se você leu este post, perceberá que tive o trabalho de levantar quem realmente fez o seu twitter no evento e como esse tema está relacionado à capa da revista Época, publicada em 14 de março. Vale a pena, principalmente porque deu para perceber que a turma de Criciúma continuou o movimento.





mídia social amplia o horizonte para a carreira de RP

4 04 2009

comunidade-horizonte-rp

Foi por meio deste blog (social media club) e da comunidade “Relações Públicas” no Orkut (+ de 10 mil membros) que comecei a conversar com Pedro Souza Pinto, um jovem de 27 anos, graduado em Relações Públicas pela UFMG. Na semana passada, ele me enviou um convite para participar da comunidade recém-formada “Horizonte RP”, que promove trocas, diálogos, experiências, divulgações e interação entre profissionais e estudantes de Relações Públicas de Minas Gerais. Além de coordenar a comunidade, ele trabalha atualmente na Assessoria de Comunicação da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte e realiza projetos como freelancer na área de comunicação e mobilização social.

pedro-souza-pintoExemplo a ser seguido por outras pessoas, Pedro Souza Pinto comenta sua trajetória, visão e opiniões a respeito das mídias sociais e da profissão de relações públicas:

O interesse por mídias sociais

Sempre me interessei por tecnologia e tive uma certa curiosidade sobre as novidades na área. Desde quando começaram a surgir as ferramentas que permitiam a qualquer um criar seu site depois seu próprio blog, e assim por diante, eu buscava entender como funcionava. Mas creio que foi a partir do surgimento e expansão do Orkut no Brasil e toda a discussão que daí partiu, que passei a olhar as mídias sociais pelo viés mais crítico como profissional de comunicação. Desde então acompanho – ou pelo menos tento, dada a velocidade com que as coisas acontecem – o que surge de novo nessa área, bem como os estudos ou reportagens. Pra falar a verdade, já me cadastrei em tantos tipos de redes sociais na internet, apenas para ver como funcionavam, que já não sei mais de quantas faço parte.

Os projetos desenvolvidos pelo grupo de relações públicas

O grupo surgiu em meados de 2006 (oficialmente, em setembro de 2006) e realiza praticamente tudo pela internet. É um trabalho totalmente voluntário, por isso utilizamos essencialmente esse recurso, que não nos gera custos. Começamos com uma lista de discussão no yahoo, que ainda mantemos. Quando definimos melhor o que faríamos, criamos um site, e mais tarde uma newsletter, a “Panorama”, que era quinzenal e depois passou para mensal. Atualmente não a estamos publicando devido à nossa pouca disponibilidade para produzir material próprio, além de estarmos num momento de revisão de algumas ações. Ainda no começo, também realizávamos reuniões do grupo, às vezes em alguma faculdade, para atrair também alguns estudantes, e outras vezes em algum lugar onde pudéssemos planejar as ações. Com o tempo, porém, percebemos que esse formato de reunião era pouco atrativo e nos concentramos mais no trabalho virtual. Em seguida veio o blog e também a comunidade do Orkut. Além disso, acompanhando os blogs e listas de discussão de RP, descobrimos na Bahia uma iniciativa interessante, de uma aluna chamada Shade Andréa Cavalcante, que propunha um evento chamado “Café Com R e P”. A idéia era reunir profissionais e estudantes de Salvador para um bate-papo informal e descompromissado, apenas para que eles se conhecessem e trocassem idéias. Fizemos contato com ela e “importamos” a idéia, passando a realizar desde o final do ano passado um encontro bimestral, o “Café Horizonte RP”, com o mesmo formato (aliás a 3ª edição é nesta segunda, 30 de março).

Por fim, conhecemos o Ning e resolvemos investir nessa idéia, quando percebemos o potencial de criar uma relação mais próxima e menos mediada entre os nossos públicos. Acho que essa rede social consegue resumir da melhor forma o que queremos com o Horizonte RP, que é gerar entre os RPs mineiros esse encontro e essa troca de experiências.

alannacostasantosQuanto ao grupo, somos dois que administram diretamente as ferramentas. A outra pessoa é a Alanna Costa (foto), RP formada pela faculdade Fabrai (em 2006, quando começamos, ainda era estudante). Temos também um apoio mais direto de outro profissional, Wallace Ischaber (freelancer), que nos fornece o espaço em seu servidor e nas configurações gerais da web (endereços, e-mail etc). Há também outros colegas mais próximos que, apesar de não estarem responsáveis por alguma ferramenta ou função no grupo, são legitimadores que estão sempre presentes e participando do que propomos.

O grupo, como eu disse, é totalmente voluntário, e a nossa intenção é justamente que as pessoas participem de forma espontânea no que lhes for possível. Então é difícil separar extamente quem faz parte ou não do Horizonte RP, por isso fiz essa divisão mais operacional.

As experiências vividas

Do começo até hoje pudemos perceber que já começou a se estabelecer uma rede mais coesa de profissionais de RP aqui em BH. Também entretwitter-horizonterp os estudantes nos tornamos bastante conhecidos – talvez porque a rede dos estudantes seja mais próxima pelo próprio ambiente em que convivem e pela maior proximidade com as novas tecnologias. Alguns deles passaram a ter o nosso site e newsletter como uma fonte de informação (hoje, o blog e, esperamos, o Ning). Também passamos a buscar parcerias, e alguns cursos oferecidos pelo INAP (Instituto de Artes e Projetos, aqui em BH) dão desconto aos cadastrados no Horizonte RP (seja na nossa lista de discussão ou nosso mailing). Temos ainda um bom caminho ainda para chegar a criar uma referência de informação para as RP de Minas Gerais, como pretendemos, mas creio que estamos andando no ritmo certo para o que o grupo pode fazer.

O futuro das mídias sociais

Minha opinião sobre isso é mais um desejo do que uma previsão. Mas acredito que as mídias sociais devem caminhar para chegar a um momento de convergência, quando será ainda mais simples estar presente de forma permanente nessa vida social digitalizada. Digo “vida social digitalizada” também porque vejo as mídias sociais tornando-se uma extensão dos nossos relacionamentos, pessoais ou profissionais, no mundo real, com formas diferentes de explorá-los. Olhando ainda mais adiante, creio que aquela convergência as tornará uma parte normal de nossas vidas, integrando-as como uma forma de nos organizarmos e nos relacionarmos no cotidiano. Mas aí já estou me adiantando um pouco demais…

Bom, é isso aí. Abraço! Pedro.





batalha de blogueiros anima [ainda mais] a Campus Party

25 01 2009

batalhadeblogueiros_msoma1O lance foi muito rápido. De sexta para sábado, cerca de 72 blogueiros foram convidados para um animado desafio: a #batalhadeblogueiros. As equipes se enfrentaram em uma arena de laser shot localizada no stand da F-Secure, em um ambiente que simulava uma guerra virtual com armas a laser. O objetivo desta iniciativa, organizada pela F-Secure e polvora, foi o de promover uma confraternização entre os blogueiros presentes ao evento, além de incentivar a conscientização destes formadores de opinião na internet sobre a necessidade de proteção contra as novas ameaças virtuais.

A “batalha virtual” foi transmitida ao vivo, e o público da Campus Party acompanhou seus blogueiros prediletos em um monitor do lado de fora do estande e,batalhadeblogueiros_jovemnerd por meio do Twitter, seguindo as tags #batalhadeblogueiros e #batalhadeblogs. A farra foi boa e o saldo final ainda melhor. Aqueles blogueiros que se conheciam apenas pelo browser, puderam brincar, beber e conversar ao vivo. Os demais aproveitaram para botar a conversa em dia.

Alexandre Ottoni, do Jovem Nerd, foi o campeão e levou um Nintendo Wii para casa. Agradecimento especial ao fotógrafo Eduardo de Sousa que registrou tudo em dezenas de fotos. Confira quem esteve na brincadeira neste fabuloso álbum.

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dúvidas, receitas, avós e as redes sociais: o que isso tudo tem a ver?

11 01 2009

Participei recentemente de algumas discussões a respeito do uso das redes sociais como forma de gerar novos negócios. As perguntas são oriundas de profissionais pouco antenados com o assunto, aquelas que ficaram seduzidas pelas experiências positivas contadas por amigos (também impressionados) ou divulgadas pela mídia de massa.

Eu até entendo a boa percepção sobre o assunto por parte deles. Diariamente recebemos informações estrondosas sobre o crescimento exponencial de participantes em redes sociais; a velocidade como são criadas e aceitas por milhares de pessoas; os holofotes direcionados a seus criadores, usualmente associados a gênios, e as cifras mirabolantes de valor de mercado incorporado ao negócio.

Considerando esses ingredientes, não tem como a receita do bolo, daqueles criado pela avó, deixar de ter a forma, o aroma, o sabor e o sentimento agregado m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o. Usei logo esse exemplo para criar uma referência próxima no sentido de exemplificar as perguntas e respostas de entrevistas e workshops em que tenho participado.

Adoro bolos e não seria difícil criar uma comunidade “Gosto do bolo da avó” (se é que já não existe) e ter uma legião de participantes. No entanto, minha (falecida) avó era japonesa e deixou memoráveis recordações pela receita do “Ozooni”, um dos pratos típicos de Ano Novo, nada semelhante a um bolo, servido na data para atrair saúde, felicidade e fortuna no novo ano.

Feita a introdução, quero compartilhar com você as freqüentes dúvidas do mundo corporativo em relação às “redes sociais” (lembrando que este também é um termo criticado por alguns). Como acredito na inteligência coletiva, convido você a comentar sobre algumas perguntas e respostas. Lembro, aos mais radicais, que faz parte do nosso trabalho estudar e debater o tema. Para quem pergunta, ainda é uma experiência incipiente e por isso algumas coisas podem parecer básicas ao extremo. Vamos lá!

Devo participar de todas as redes sociais ? MSoma – Acho que ninguém deve participar de todas as redes sociais apenas por participar. Até porque entrar nas comunidades e não estabelecer relacionamentos não faz sentido e “cair no limbo” será o caminho mais comum. Teria pouco interesse informar na comunidade do “Gosto do bolo da avó” as evoluções do “Ozooni”, com o intuito de forçá-las a gostar do prato que eu tanto aprecio e valorizo. Participar significa estar engajado com o tema e com as pessoas. O que não for legítimo será expurgado.

Devo participar somente daquelas redes sociais mais renomadas? MSoma – Esse é um preconceito, no estilo “referência cruzada”, criado pelo mundo corporativo. Isso vai bem na linha “devo anunciar somente nas mídias que têm bom número de circulação/leitores”. Quando entramos nas redes sociais – e boas redes, com volume e qualidade ainda não entraram no mainstream media tradicional – buscamos o valor agregado de falar e ouvir. Se fizermos uma analogia na mão contrária (social media para corporativo), eu diria que o ROI (Return On Investiment) está na espontaneidade das pessoas ajudarem ou darem uma resposta legítima a um dilema seu, o que pode até ser uma reflexão sobre o bolo da avó que ninguém nunca havia pensado ou expressado antes.

Uma empresa pode enviar mala-direta ou press releases (tradicioinais) para os participantes de uma rede social? MSoma – Fazer isso representa o mesmo ato de xingar, c-u-i-d-a-d-o-s-a-m-e-n-t-e, a avó de cada um. Estamos falando de P2P (pessoas para pessoas) e não de B2B ou B2C. Deve-se ter em mente o estabelecimento do diálogo e a geração de interesses por atração e não pelo empurrão (vide relação do bolo da avó com o Ozooni).

Como eu faço para obter um mailing list das pessoas de uma comunidade para estabelecer um network consistente? MSoma – Olha a “referência cruzada” novamente. De nada adianta mapear e ter um mailing list dentro de uma rede se o conteúdo a ser “dialogado” não for consistente e interessante. Se isso for feito de forma legítima, naturalmente as pessoas vão comentar, pedir para entrar em sua rede e daí em diante as coisas fluem bem. Caso contrário, melhor nem começar.

Qual a diferença de uma rede de interesses em comparação a uma de propósitos? MSoma – Numa rede de interesses, como o Orkut, as pessoas formam seus grupos por assuntos e afinidades, como por exemplo: bolo da avó e Ozooni. O conteúdo é bem flexível (fotos, vídeos, testemunhos, recados…). As regras beiram o bom senso e os bons princípios. Já numa rede de propósitos, geralmente há um “owner” do negócio e as regras são bem mais rígidas. Por exemplo, no LinkedIn as pessoas buscam relacionamentos profissionais, onde o bolo da avó teria pouco espaço, mas por outro lado, informações sobre a formação acadêmica e a experiência profissional, seriam temas críticos. Nesse caso, não só o número de contatos é importante, como também a qualidade dos endossos recebidos por clientes/chefes, os cargos alcançados em cada emprego ou mesmo os empreendimentos desenvolvidos ao longo de uma carreira de sucesso.

UPDATE: E aí a turma acorda para a realidade. Veja o email recebido por um profissional que sacou bem o que está acontecendo hoje:


“Mario,

Eu costumava pensar que a comunidade das mídias sociais era uma alternativa à mídia tradicional, na verdade após ter te conhecido e mergulhado no tema percebo que existe uma total complementariedade entre estes dois mundos da comunicação.

A mídia social representa uma evolução natural da mídia tradicional, que sempre terá seu espaço, mas quando falamos em espaço automaticamente nos remetemos àquilo que não vemos lá no céu escuro, mas que certamente sabemos que é grande… grande … tão grande quanto o infinito.

Se podemos chamar ao mundo das midias sociais de mundo virtual, basta que perguntemos aos protagonistas deste universo como o Google e suas iniciativas bilionárias se o dinheiro depositado nas contas bancárias de seus acionista é real?

E creio que a reposta virá automaticamente: Claro que não é Real, mas seguramente não é virtual. É em Dólares.

Abraços,

Eduardo Bomfim”





fotos inéditas do “blogagem inédita”

5 04 2008


Você já fez uma blogagem inédita? Sim? Não? Pois eu decidi, em mais uma experiência, cobrir um evento repleto de blogueiros com esta finalidade. Fui pego de surpresa pela bateria fraca da câmera digital e tive que improvisar com o Photo Booth do MacBook, ou seja usar o laptop para tirar fotos.

Aproveitei a minha formação jornalística para isso e fiquei positivamente impressionado. Encontrei pessoas que me seguiam no twitter e outras pessoas legais e interessantes que eu já conhecia de (re)nome.

O evento em si foi um laboratório muito bom, que cedeu o palco e acendeu os holofotes para boas idéias de anônimos e (quase) homônimos, como foi o caso do Manuel Lemos, que não é o Manoel Lemos do BlogBlogs. Melhor do que falar é mostrar as fotos no flckr. Parabéns Edney, Ian e Inagaki pela iniciativa.

(1) Jonny Ken (centro) com laptop, se preparava para twittar o evento, enquanto

(2) Edney (óculos) coordenava as apresentações.





caso de sucesso social media: conceitos

4 04 2008







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