Faça o teste. Em suas navegações no browser, você tem o hábito de:
- Procurar informações sobre doenças comuns ou diferenciadas, principalmente quando o paciente é alguém conhecido.
- Pesquisar a reputação de um médico ou hospital antes de agendar uma consulta ou exame.
- Buscar medicamentos similares ou genéricos em alternativa àqueles receitados pelo médico.
- Comparar tratamentos em diferentes estágios de uma mesma doença.
- Levar para o retorno da consulta as anotações sobre suas descobertas feitas via browser e confrontar o seu médico sem pudor.
Caso você tenha se identificado com parte – ou mesmo 100% – dessas situações, a sua ficha pode ser diagnosticada e classificada como a de um paciente expert, informado , ou simplesmente “sabichão”. Calma, isso não é mais uma patologia variante dos Transtornos de Dependência de Internet. Representa sim um termo cunhado e estudado por três pesquisadores da Fiocruz: a doutoranda Helena Beatriz da Rocha Garbin e a médica Maria Cristina Rodrigues Guilam, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), e o historiador André de Faria Pereira Neto, da Casa de Oswaldo Cruz (COC). Paciente expert ou informado na visão dos pesquisadores é aquele que busca ativamente informações sobre sua doença (ou a de um familiar), sintomas, medicamentos, tratamentos e custos.
O tema me chamou a atenção meses atrás por ter o link simultâneo com a internet e o comportamento pró-ativo das pessoas. Então eu decidi averiguar o quanto os pesquisadores estavam engajados. Convidei Alexandre Inagaki para me acompanhar ao Rio de Janeiro, sede da Fiocruz, e validar nossas percepções juntos. Percebemos, ao longo de nossa conversa com André Neto e Helena Garbin, que o projeto era muito sério. E aí surgiu a idéia: Por que não ampliar a conversa e envolver outros profissionais num debate? Foi o que realizamos no dia 19 de maio em São Paulo.
Não foi difícil escolher as referências para compor a mesa no debate para se juntarem aos próprios pesquisadores do paciente expert:
Médicos:
- Carlos Andrade : Geek, pai, marido & pitacado; eclético e sem medo.Interessado neste mundo novo da Web.
- Leonardo Diamante :Médico com 20 anos de conhecimentos em questões de TI na área de saúde, possui experiência vivida em hospitais e operadoras de saúde.
Blogueiras:
- Samantha Shiraishi: Jornalista, blogueira, editora do portal “M de Mulher”, mãe de 2 meninos, consumidora de arte, entusiasta de mídias sociais e geek inveterada.
- Liliane Ferrari: Produtora Cultural de Alex Pilis, Barcelona, Pulsarte, Expo Internacional de Stickers. Professora Escola SP, blogueira em Mãe c/ Filhos e Rede Mapfre Mulher.
Jornalistas:
- Cylene de Souza: editora da Revista Fornecedores Hospitalares.
- Mário Soma: pai de 2 filhos, empresário de comunicação que cresceu em convivência com médicos e até hoje se interessa pela Medicina.

Os pesquisadores da Fiocruz concluíram que a busca de informações sobre saúde na internet pode auxiliar o paciente a desenvolver uma postura menos passiva em relação ao discurso do médico, processo que resultaria em decisões mais compartilhadas por ambos. Porém, traz à tona os efeitos colaterais de um mundo mais informado, atualmente uma realidade inevitável, com a evolução da internet. Outros assuntos surgiram durante o debate, como por exemplo “a relação médico-paciente-plano de saúde”. O que foi discutido ao longo do evento e quem participou presencialmente ou pela web você pode checar no twitter aqui, no flickr aqui ou em vídeo aqui.
Meu aprendizado:
Temas polêmicos devem ser checados em profundidade para merecerem a repercussão e credibilidade das pessoas. Ou seja, na ocasião, não bastou apenas ler sobre pacient expert ou informado nas mídias de renome ou em dezenas de URLs. Veja que referências não faltam:
Produzir um debate dá muito trabalho, tanto na pesquisa do assunto, organização do conteúdo do evento, conciliação de agenda dos convidados, quanto na logística do preparativos e moderação dos participantes. O fato dos profissionais debatedores estarem com maturidade alinhada, no tema paciente expert ou informado e mídias sociais, otimizou o tempo, manteve o respeito entre todos (online e offline) e gerou novas idéias de projetos de forma colaborativa.










Muitíssimo interessante e util
eu sou testemunha de Jeová. e passamos por problemas justamente por isso, não usamos sangue em hipótese alguma, e muitos medicos não aceitam que nós venhamos a sugerir outras formas de tratamento… alguns até se sentem ofendidos.
tomara que a maioria dos medicos tomem atitudes assim, saiam dos consultorios e parem de achar que são “deuses” … paciente tambem tem escolha.
Que feliz que fico de ver esta discussão acontecendo!
É isso ai! Vcs vão revolucionar esta discussão no Brasil!
Estou sempre aqui na torcida! Beijos. Lu
Lu, vocês não! Nós, afinal foi você que acreditou no projeto e tem todo o crédito para fincar sua bandeira na discussão. Beijos e boa sorte na nova fase de sua vida.
Informação é poder. O paciente informado contrariamente ao que muitos médicos ainda acreditam, não são um impecilho à boa medicina e consulta médica. O paciente informado pode passar informações valiosas duarante a anamnese, tornado a consulta mais eficaz tanto para o médico como paciente. Também mostra ao paciente a importância do prescrito pelo médico, auxiliando o paciente na adesão aos tratamentos. Definitivamente o paciente informado é uma realidade, pelo menos nos grandes centros. A dúvida é onde se informar, pois há muito conteúdo recheado de promessas…. Com o tempo hão de perder público.
[...] em tempos de internet, que diversos temas têm sido levantados e discutidos em eventos como o Paciente informado que ocorreu em 19 de maio em São Paulo e que contou com a participação de médicos, pacientes, [...]