O paciente entra no hospital e diz – convicto – ao médico:
“doutor, eu tenho uma dor aqui e preciso fazer a tal da ressonância magnética. Depois que o resultado apontar um quadro pior do que eu imagino, aí o doutor me interna e faz uma cirurgia bem aqui ó! Assim que eu receber a alta do hospital, o doutor prescreverá os seguintes medicamentos: A injetável, B comprimidos 2x ao dia e C, 20 gotas a cada 8 horas durante 10 dias.”
É exatamente assim que eu leio algumas reuniões das quais eu participo no mundo corporativo. Em minha peregrinação pelos projetos, infelizmente, tenho recorrentemente visto, ouvido e rebatido com freqüência e veemência a mesma argumentação. E olha que tenho queimado muita sola de sapato por aí. Pior, tem gente que acredita que é possível prever os detalhes da cauda longa. A afirmação por si só já é um contra-senso, certo? Prepotências à parte, pela ingênua falta de informação (e não por algo ruim planejado), faço desse post meu instrumento de reflexão, como sempre. Para aqueles que não atuam de forma ingênua, lanço o seguinte desafio:
Senhores gurus, canetas a postos na mão, me respondam com rapidez:
1. Qual é o comprimento da cauda longa para o uso fim do seu projeto?
2. Quantas pessoas participam?
3. Aonde se compra o mailing desses participantes?
4. Agora – sem pestanejar, por favor – qual é perfil exato dessas pessoas?
5. Me liste, por extrato, quais as possíveis reações à prepotência corporativa?
Pois é…viu como é difícil responder aos questionamentos sem um diagnóstico? [sendo que mesmo com um diagnóstico, a informação não terá uma assertividade de 100%, pois além de longa, a cauda se movimenta de forma volátil].
Mais do que criticar, meu papel é o de primeiro constatar, depois discutir, evangelizar e esclarecer. Faço isso com prazer. Então seguem minhas singelas orientações, com base em projetos, conversas e troca de experiências dos últimos 24 meses:
- Faça um workshop interno e compartilhe com todos os profissionais o que você tem em mente. Procure ter uma visão holística do projeto e seus objetivos bem claros. Nessa etapa é muito importante que as pessoas já tenham passado por um processo de educação e cultura sobre o mundo da social media.
- É critico saber do seu grupo se todos efetivamente entenderam a cultura da social media e a maturidade da empresa em entrar nesse mundo.
- Faça o mapeamento do mercado em questão e observe as conversas que rolam nas comunidades, fóruns, blogs, etc.
- Colete suas informações e monte uma base bem estruturada de conclusões que cruzem as expectativas da empresa com as expectativas das pessoas. Sinta se tudo isso faz sentido. É nessa fase que os projetos são alterados, incrementados ou mesmo cancelados.
É duro ouvir isso? É muito diferente do mundo tradicional? Paciência, pois é uma tendência sem volta. Como diz o velho ditado: “Antes prevenir do que remediar.”










[...] sem diagnóstico não há projeto. Entendeu? « social media club uma explicação sobre porque o cliente de propaganda não está certo na maioria dos casos. (tags: socialmedia advertising) [...]
[...] qualquer modo, são absolutamente necessárias duas coisas: diagnóstico e planejamento. Sem isso, é tiro no escuro! Rodrigo van Kampen @ setembro 24, 2008 « [...]
Perdoe-me, mas a comparação não é feliz.
Aliás um paciente pode, sim, propor um diagnóstico a um médico, o que é até muito comum em tempos de Internet, assim como um cliente de uma arquiteta pode dizer mais ou menos como quer que seja o ambiente a ser decorado/construído, competindo ao arquiteto dar uma forma mais perto do aceitável, mas sempre ouvindo o seu cliente.
Querer afastar o cliente do processo criativo me parece uma certa e desnecessária presunção.
Jorge,
Perdoe-me, mas acho que fui claro no exemplo. O paciente não está propondo um diagnóstico e sim afirmando o que tem, inclusive com os próximos passos no detalhe. Aí é ele que não busca a conversa. Digo isso pq estou estou num projeto com renomados médicos e estudo o assunto em profundidade. Um dos grandes problemas desses profissionais é que eles recebem em consulta um paciente que leu de tudo na web e interpretou o cenário sem a menor competência para isso. E aí é que mora o perigo: no palpite e no “achismo”.
Meu blog fomenta a conversa e não a informação “empurrada”, portante eu nunca afastaria o cliente de um processo. Digo sim que a conversa é o que falta no mundo corporativo. No meu exemplo, nem o médico e nem o paciente são donos da verdade, mas sem um diagnóstico (conversa entre ambos e anamnese) tudo continuará sem solução.
Opa, cara, meu nome é Kenzo Kimura, sou de Fortaleza-Ce e trabalho com redação publicitária (www.rafiado.blogspot.com). Me enviaram esse link por twitter e eu achei essa introdução muito auto-explicativa. Parabéns. Continuarei a visitar esse blog mais vezes.
Kenzo, como diz aquele comercial da TV “os nossos japoneses são mais criativos que os outros” ou alguma coisa nessa linha, certo?! Visitei o seu blog que é um show de criativdade. Eu é que te parabenizo.
[...] do mercado na web devem nortear uma campanha e todos os seus canais de comunicação. Fiz um post sobre o assunto em setembro do ano [...]